
Foto: Divulgação/ MDS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou queda na proporção de votos em municípios onde o Bolsa Família tem maior alcance nas eleições de 2026. Segundo levantamento do UOL, o petista passou de 71,5% dos votos nessas cidades, em 2022, para 68,7% neste ano. Flávio Bolsonaro (PL), por outro lado, chegou a 27,3%, acima dos 23,5% obtidos por Jair Bolsonaro (PL) quatro anos antes.
O levantamento classificou como municípios de alta dependência aqueles em que os beneficiários do Bolsa Família representam pelo menos 50% da população. Para chegar aos resultados, o UOL cruzou os dados da votação presidencial das três últimas eleições com informações sobre a população de cada cidade e o número de beneficiários do programa.
Outros candidatos perdem espaço
As cidades classificadas como de alta dependência do programa concentraram 14,4% dos votos válidos em 2026. Nesses municípios, a votação dos candidatos que não eram ligados aos grupos petista ou bolsonarista também diminuiu ao longo das últimas eleições.
Em 2018, esses nomes reuniram 17% dos votos. O percentual caiu para 5,04% em 2022 e chegou a 4% neste ano. O levantamento aponta, assim, uma concentração maior dos votos entre Lula e os candidatos da família Bolsonaro.
Lula também recua em cidades com menor dependência
O movimento não ficou restrito aos municípios onde o Bolsa Família alcança uma parcela maior da população. Nas cidades classificadas pelo UOL como de baixa dependência, com menos de 25% da população beneficiária, Lula também teve redução na participação.
O petista havia passado de 20,1% dos votos em 2018 para 40% em 2022. Em 2026, porém, ficou com 37%.
No mesmo grupo de municípios, os candidatos bolsonaristas somaram 53,6% em 2018, recuaram para 50,3% em 2022 e voltaram a subir neste ano, chegando a 53,9%.
Dados não indicam relação direta entre benefício e voto
O levantamento ressalta que os resultados não permitem afirmar que o recebimento do Bolsa Família determine o voto dos eleitores. A análise apenas compara o desempenho dos candidatos em municípios classificados conforme o grau de dependência da população em relação ao programa.
O UOL também registrou que o governo Lula anunciou, em setembro, um reajuste no valor do benefício, que passou de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. Em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o então Auxílio Brasil havia passado de R$ 400 para R$ 600 nos meses que antecederam a eleição.
Para o cientista político Danilo Medeiros, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Bolsa Família, isoladamente, não garante o voto dos beneficiários. Segundo ele, a consolidação do programa ao longo do tempo também contribuiu para que parte da população passasse a enxergá-lo como um direito.
Fonte: Terra Brasil
