• Categoria do post:Geral

Potiguar concorreu à presidência do Senado em 2023 e acabou derrotado — Foto: Edilson Rodrigues/Senado

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), pretende defender que parlamentares de direita anunciem publicamente seus votos na eleição para a presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A iniciativa busca evitar que senadores eleitos com apoio do bolsonarismo apoiem, de forma reservada, a reeleição do atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

“Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, afirmou Marinho ao confirmar a intenção de apresentar a proposta.

Segundo informações divulgadas pelo Agora RN nesta segunda-feira (02), a estratégia será discutida em reunião da bancada do PL prevista para quarta-feira (4). O encontro deverá definir o posicionamento do partido na disputa e poderá resultar no lançamento da candidatura de Marinho à presidência do Senado. Outra parlamentar de direita interessada no cargo é Tereza Cristina (PP-MS).

A votação é secreta, mecanismo considerado favorável por Alcolumbre, que mantém articulações com parlamentares de diferentes partidos, inclusive da oposição.

PL está dividido sobre candidatura própria

A possibilidade de lançar um candidato próprio divide o PL. Uma ala defende a aproximação com Alcolumbre após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, sob o argumento de que um confronto poderia deixar o partido novamente distante dos principais espaços de poder no Senado.

Outro grupo avalia que o desempenho eleitoral da direita permite disputar o comando da Casa.

A nova composição do Senado terá 29 integrantes do PL e três do Novo. Republicanos, PP, Podemos e PSDB somarão outros 15 parlamentares, muitos eleitos com apoio de lideranças bolsonaristas. Para vencer a eleição, um candidato precisa alcançar a maioria absoluta dos votos, correspondente a 41 dos 81 senadores.

Marinho e Alcolumbre afirmam contar com o apoio de 48 parlamentares cada. Como as duas estimativas superam o número total de integrantes da Casa, há senadores contabilizados simultaneamente nas projeções dos dois grupos.

No Rio Grande do Norte, a bancada a partir de 2027 será formada por Rogério Marinho, Styvenson Valentim (Podemos), que inicia novo mandato, e Samanda Alves (PT), eleita em outubro. Até o momento, os dois novos integrantes da bancada não anunciaram seus votos.

Samanda é apontada como próxima de Alcolumbre em razão do apoio já declarado pela bancada petista. Styvenson, por sua vez, mantém proximidade com o atual presidente do Senado, mas foi reeleito com apoio do PL no Rio Grande do Norte.

Exposição dos votos busca evitar dissidências

A proposta de Marinho está relacionada às promessas feitas por candidatos de direita durante a campanha eleitoral. Muitos foram eleitos com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e compromissos de pressionar pela abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.

Alcolumbre resiste a dar andamento a esses pedidos, posição que provoca críticas de setores bolsonaristas. Aliados de Marinho pretendem usar esse desgaste para pressionar parlamentares que eventualmente considerem apoiar a reeleição do atual presidente.

Embora a votação permaneça formalmente secreta, os senadores poderiam declarar previamente suas escolhas e mostrar as cédulas antes de depositá-las na urna. A exposição voluntária funcionaria como uma forma de cobrança pública.

A estratégia tem um precedente na própria trajetória de Alcolumbre. Em 2019, quando disputou pela primeira vez a presidência do Senado, ele defendeu a votação aberta para enfraquecer a candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL).

Naquele ano, a tentativa de alterar o modelo de votação foi barrada por uma decisão liminar do então presidente do STF, Dias Toffoli. Mesmo assim, alguns parlamentares anunciaram voluntariamente seus votos e exibiram as cédulas antes de depositá-las.

Disputa envolve histórico de alianças e divergências

Em 27 de outubro, a federação formada por União Brasil e PP anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre. A manifestação, porém, não representou adesão pública de todos os integrantes das duas legendas. Tereza Cristina e Guilherme Derrite (PP-SP), por exemplo, criticaram o anúncio nas redes sociais.

O PL também tem um histórico de mudanças de posição na disputa pelo comando do Senado. Em 2023, Rogério Marinho concorreu contra Rodrigo Pacheco (PSB-MG), então candidato à reeleição, e foi derrotado por 49 votos a 32.

Nos dois anos seguintes, o partido ficou sem a presidência de comissões consideradas estratégicas e sem representação na Mesa Diretora. Em 2025, a legenda apoiou Alcolumbre em uma negociação que garantiu ao PL espaços na estrutura de comando da Casa, incluindo a vice-presidência.

A aliança, entretanto, perdeu força durante a atual gestão. Parlamentares bolsonaristas criticam a atuação de Alcolumbre e avaliam que ele deu mais atenção às demandas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que às prioridades da oposição.

Entre as principais divergências está a discussão sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A direita acusa Alcolumbre de enfraquecer a articulação em torno da medida e de favorecer uma alternativa de redução de penas.

A resistência do presidente do Senado em dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF também alimenta as críticas.

Outro episódio citado por setores da oposição foi a tramitação da proposta de emenda à Constituição sobre o fim da escala de trabalho 6×1. A medida, associada a uma das principais bandeiras do governo Lula, foi colocada em votação por Alcolumbre durante a disputa presidencial.

Com a proposta de exposição pública dos votos, Marinho pretende transformar o posicionamento dos senadores em relação à atual presidência do Senado em um compromisso político. A discussão, no entanto, ainda depende da decisão da bancada do PL e das articulações com parlamentares de outras legendas.

Fonte: Terra Brasil

Compartilhar matéria no
No momento, você está visualizando Disputa no Senado: Rogério Marinho defende voto aberto de direita para derrotar Alcolumbre no Senado