Por Priscila Carvalho, da Agência Einstein

Incentivar a população a consumir mais grãos integrais diminuiria a incidência do diabetes tipo 2 e os custos associados à doença, de acordo com estudo conduzido pela Universidade da Finlândia Oriental e o Instituto Finlandês para Saúde e Bem-estar. Os resultados foram publicados na revista científica Nutrients.

Os pesquisadores criaram um modelo econômico de saúde a partir de informações coletadas de várias bases de dados nacionais e publicações científicas. Os dados possibilitaram estimar os impactos da mudança na alimentação em nível populacional, com foco nos finlandeses.
“Entre a população adulta da Finlândia, o aumento no consumo de grãos integrais poderia reduzir os custos relacionados ao diabetes tipo 2 entre 286 e 989 milhões de euros nos próximos 10 anos, dependendo da frequência no consumo”, detalham os autores no artigo.

Ação no organismo
Consumir alimentos integrais interfere no controle do diabetes devido à ação desses nutrientes no organismo, de acordo com Marcella Garcez, nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Ao ingerir mais grãos integrais, as enzimas do corpo têm mais dificuldade para quebrar os carboidratos (arroz, macarrão, pão) e transformá-los em glicose, ou açúcar. Como consequência, uma quantidade menor de açúcar estará em circulação no sangue, diminuindo a necessidade de insulina – hormônio produzido pelo pâncreas e responsável por metabolizar a glicose para que vire energia.
O diabetes tipo 2 se caracteriza por uma resistência do organismo à insulina. Com isso, a glicemia (açúcar em circulação) permanece elevada, levando a complicações. Por exemplo, a ocorrência de doenças cardiovasculares (como o infarto agudo do miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral, ou AVC), a piora na cicatrização de feridas, bem como danos à retina e rins.

Quais são os grãos integrais?
São chamados de integrais aqueles grãos que ainda tenham as três partes originais: farelo, endosperma e o germe, por mais que tenham sido moídos, rachados ou na versão em flocos. São encontrados nos cereais, leguminosas e sementes. Como exemplos:

Aveia (em flocos, em farelo);

Trigo integral;

Centeio;

Cevada;

Trigo sarreno;

Cevadinha;

Grão-de-bico;

Feijão;

Lentilha;

Milho;

Ervilha;

Quinoa;

Amaranto;

Painço.
“Temos alguns grãos de mais fácil acesso e um deles é a aveia. Pode ser consumida de todas as formas, seja como flocos finos, grossos ou farelo e ainda oferece fibra solúvel chamada betaglucana, que ajuda a aumentar a sensibilidade da insulina”, explica Angélica Grecco, nutricionista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, e do Instituto EndoVitta.

Quanto devemos consumir?
Além de diminuir os níveis de glicemia, o consumo dos grãos integrais auxilia no controle de outras doenças. Por isso, os especialistas alertam que o consumo deve ser feito independentemente de o paciente ter diabetes ou não. De acordo com o Guia Alimentar para os norte-americanos, divulgado em 2020, a recomendação é de três ou mais porções diárias.

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OMS recomenda entre 25 a 40 gramas diariamente desses alimentos em quase todas as refeições