O fóssil do anfíbio foi descoberto em um arquivo de museu e investigações revelaram tratar-se de uma nova espécie

Paleontólogos do Museu Nacional de História Natural Smithsonian descobriram o fóssil de um antigo ancestral dos anfíbios. O achado permitiu que os pesquisadores descrevessem recentemente o protoanfíbio que viveu há 270 milhões de anos.

  • O fóssil recebeu o nome de “Caco, o sapo” em homenagem aos muppets;
  • Cientificamente, a nova espécie foi chamada de Kermitops gratus;
  • O fóssil consiste em um crânio onde é possível ver o rosto de olhos arregalados da criatura.

Segundo Calvin So, autor principal do estudo em comunicado, a escolha de “Caco, o sapo” para nomear o fóssil se deu porque ela pode unir a paleontologia de museus com o público geral.Play Video

Como este animal é um parente distante dos anfíbios de hoje, e Caco é um ícone dos anfíbios modernos, era o nome perfeito para ele.

Calvin So
Pesquisadores por trás da descoebrta ao lado de Caco, o sapo, dos Muppets
(Crédito: James D. Tiller and James Di Loreto, Smithsonian)

O fóssil de anfíbio estava guardado em um arquivo

O animal foi descrito em um artigo publicado na revista Zoological Journal e foi descoberto inicialmente por Nicholas Hotton III, no século 20, enquanto investigava a região de Red Beds, um afloramento rochoso rico em fósseis no Texas. As escavações foram responsáveis por inúmeros fósseis, onde alguns acabaram sendo esquecidos.

Foi esse o caso do fóssil do protoanfíbio. Com cerca de 2,5 centímetros de comprimento, o crânio ficou guardado nos arquivos do museu até 2021, quando o paleontólogo do museu e coautor do artigo, Arjan Mann, o encontrou.

O crânio possui características únicas que o diferenciam de outros terópodes, os antigos ancestrais dos anfíbios, tendo um focinho mais curto e alongado. A partir disso, foi possível determinar que o espécime pertence provavelmente à ordem Temnospondyls, que se acredita serem os ancestrais comuns dos Lissamphibia, que inclui sapos, salamandras e cecílias.

O fóssil de 270 milhões de anos comparado com o crânio de um sapo moderno (Crédito: Brittany M. Hance, Smithsonian)
O fóssil de 270 milhões de anos comparado com o crânio de um sapo moderno (Crédito: Brittany M. Hance, Smithsonian)

A descoberta pode ajudar os pesquisadores a saber mais sobre a evolução desses grupos de animais e como eles se encaixam na árvore evolutiva.

O Kermitops oferece-nos pistas para colmatar esta enorme lacuna fóssil e começar a ver como as rãs e as salamandras desenvolveram estas características realmente especializadas.

Calvin So

Por Mateus Dias, editado por Bruno Capozzi

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