O Teatro Municipal recebe neste sábado, dia 20 de novembro, às 20h, o Circuito SP Online, com Flor d’Aroeira Tambor de Crioula. A apresentação faz parte da comemoração do Dia da Consciência Negra, data símbolo da luta do movimento negro no país. A entrada é gratuita com doação voluntária de 1 Kg de alimento não perecível.
Seguindo as normas da Resolução nº151 de 06 de outubro de 2021, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o Teatro Municipal solicita ao público a apresentação da carteira de vacinação contra Covid-19 atualizada.
A comprovação poderá ser feita pelo público através do registro físico, mediante a apresentação da carteirinha, ou de forma digital, pelas plataformas oficiais onde haja comprovante de vacinação, como o aplicativo Conecte SUS por exemplo.
O Circuito SP Online faz parte do programa Juntos pela Cultura, que promove a difusão artístico-cultural descentralizada no estado de São Paulo, por meio da circulação de apresentações e ações formativas diversificadas, de artistas e grupos com comprovada relevância em municípios de todas as macrorregiões, com portes populacionais e econômicos diversificados, em parceria com as prefeituras municipais.
Juntos Pela Cultura é uma ação do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, um programa de fomento e difusão cultural que une estado, prefeituras e segmentos artísticos para desenvolver a cultura e a economia criativa em todas as regiões de São Paulo, com gestão e produção da Organização Social Amigos da Arte. Em Marília, há uma parceria com a Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal da Cultura.

Flor da Aroeira
Tambor de Crioula e Capoeira é um grupo de Capoeira, linhagem Mestre Ananias, e Tambor de Crioula com a supervisão do Mestre Xavier Negreiro, linhagem Mestre Felipe.
Muito pertinente à data da apresentação, dia da Consciência Negra, o grupo diz a respeito de toda uma gama de valores culturais que historicamente chegam no território tido como brasileiro, a partir do êxodo do povo africano em circunstâncias extremamente adversas.
Segundo o portfólio do grupo, “Todas as dificuldades vividas por essa população extirpada de sua língua-mãe, família e territorialidade servem como impulsos para o povo negro criar uma cultura de resistência, surgida como um processo de síntese entre as diversas etnias trazidas de África, os povos ameríndios e os outros povos formadores do Brasil. O Tambor de Crioula e a Capoeira remonta a esse tempo de ‘cativeiro’”.

Tambor de crioula
Tambor de Crioula e sua chegada em São Paulo do Maranhão: Tambor de crioula é uma dança de fertilidade típica maranhense. Portanto, sua prática e simbologia dizem muito a respeito dos modos de ser e viver dos afrodescendentes do Maranhão.
Migrantes dessa terra, com a chegada à megalópole paulista, deram continuidade à produção de sua sensibilidade e fortalecimento da identidade dentro do contexto adverso de se encontrarem num outro território.
Foi no Morro do Querosene, desde meados da década de 70, que um grupo de maranhenses radicados em São Paulo começou a fazer a Festa do Bumba-meu-boi e madrugavam no Tambor de Crioula durante a finalização da mesma. Com o passar dos anos o Tambor de Crioula foi implantado em São Paulo sob a supervisão de Tião Carvalho, Graça Reis e Negreiros Xavier, dentre outros baluartes da cultura maranhense presentes nesta capital.
O fato é que hoje a fogueira de São João, a roda de dança de umbigada, os tambores escavados a mão e tocados a murro e os cantos responsoriais dessa manifestação são símbolos de um fluxo de continuidades, que partindo da Mãe África passa pelos povos aquilombados do Maranhão e funde-se à uma cultura urbana composta de diversas “tribos” em busca de identidade na cidade de São Paulo.

Histórico do Flor da Aroeira
Hoje sediados no Ilê Cultural somos um grupo que atua há oito anos na cidade de São Paulo com a difusão da cultura de raiz maranhense e raiz baiana, em contato com grupos que migraram para esta capital, sendo que o nosso é composto por cidadãos paulistanos de várias regiões do Brasil.
O Flor da Aroeira foi batizado e organizado durante um encontro dos Mestres Xavier, ou “Xaxá”, (Tambor de Crioula) e Mestre Ananias (Capoeira Angola e Samba de Roda). “Xaxá”, após contribuir desde o final da década de 70 para a implantação do Tambor de Crioula em São Paulo, retorna à sua terra natal e entrega a responsabilidade da continuidade do trabalho a dois de seus discípulos mais antigos, a saber, Pedro Ache Cintra- Alfazema e Valdenir Alves dos Santos – Mestre Nenê.
Neste momento, então, é fundado o Grupo Flor da Aroeira, que segue supervisionado por seu padrinho, o lendário e hoje saudoso Mestre Ananias. Desde então, o grupo promoveu diversos encontros em praças e áreas públicas, com vistas nas trocas entre uma cultura maranhense – suas celebrações em regiões de São Paulo – e tradições culturais presentes nesta capital.
O Flor da Aroeira transcende a esfera do vivenciar a cultura, a arte e suas manifestações simbólicas: os integrantes confeccionam objetos (tais como: estandartes, bancos artesanais para oficinas de capoeira, literatura do cordel, composição de músicas de autoria própria e artes plásticas fazendo menção a vivência da nossa própria dinâmica, ao vivenciar nossa manifestação popular), dos quais são usados no movimento sólido e continuo do tambor de crioula e capoeira.

Dia da Consciência Negra
O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil.
Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho.
A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em São Paulo, no ano de 1978, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que os afro-brasileiros reivindicam.
Com isso, o 20 de novembro tornou-se a data para celebrar e relembrar a luta dos negros contra a opressão no Brasil.w

Teatro Municipal recebe neste sábado, dia 20, Flor d’Aroeira Tambor de Crioula