O homeopata Alexandre Peres fala sobre alternativas e complementos para tratar o transtorno mental mais prevalente na população brasileira

Você sabia que pode haver vários recursos para combater a ansiedade, um dos grandes males da atualidade, através da homeopatia?
Para esclarecer mais sobre o assunto, falamos com um dos maiores especialistas do Estado de São Paulo, o médico homeopata Alexandre Peres. Confira a seguir a entrevista, concedida originalmente para a TV D Marília.

D Marília: Como a homeopatia pode ajudar com a ansiedade, um problema tão prevalente no Brasil e agravado atualmente com a questão da pandemia?
Alexandre Peres: Normalmente, a homeopatia traz um diferencial muito interessante, porque o efeito da medicação homeopática é completamente diferente da alopatia. Enquanto no medicamento comum você tem um combate direto aos sintomas, com a homeopatia você busca incentivar o combate a esses sintomas realizados pelo próprio corpo, pelo próprio paciente, pelo próprio ser. Enquanto o medicamento convencional ajuda combatendo os sintomas desagradáveis, a homeopatia ajuda promovendo um entendimento, incentivando o autoconhecimento, a autocrítica, apresenta alternativas de pensamento na hora de uma crise. Então, com a medicação homeopática podemos individualizar o tratamento de cada pessoa – para se ter uma ideia, a ansiedade, na clínica homeopática pode ser tratada com 485 medicamentos diferentes. Cada ansiedade é de um tipo e meu interesse como homeopata é saber qual é a sua, qual é a particularidade que o descreve. Com isso posso selecionar a medicação mais correta que ofereça o estímulo adequado para que você possa andar com suas próprias pernas. Falando de maneira direta, com a medicação homeopática, o que esperamos que aconteça? Que ela evidencie, na própria estrutura psíquica do paciente, mecanismos em que ele está falhando, que isso se torne claro para o próprio paciente, visualizando que pode modificar aqui, melhorar ali, identificar seu ponto fraco. Nós chamamos de “descascar a cebola”, tirando camadas e camadas de máscaras, de subterfúgios, e uma hora o motivo principal fica claro. É possível optar por um tratamento nesse sentido.

DM: Parece que envolve também um preparo na área psicológica do profissional para entender esse indivíduo, identificar onde está o problema dele, como o medo de perder o emprego, o medo de uma doença. Como é esse preparo para poder interpretar?
AP: Veja bem, há homeopatas e homeopatas. Dentro da minha experiência clínica acabei estudando bastante a estrutura psíquica, as reações psicoemocionais e afetivas. É possível prescrever como quem prescreve um medicamento comum, mas prefiro, neste caso da ansiedade, fazer uma abordagem muito mais específica. É preciso um conhecimento nesta área, mesmo porque é preciso captar no paciente os movimentos que estão ocorrendo dentro de sua estrutura psíquica, saber quando você está reagindo bem, quando está reagindo mal, quando suas defesas psíquicas estão falando, quando você está apresentando alguma mudança que é efetiva no sentido de cura e superação, por exemplo.

DM: E qual é a sua percepção de resultado em termos de soluções para os pacientes?
AP: Em termos de benefício, se falarmos em porcentagem, acredito que no mínimo 60% dos pacientes tem uma melhora que eu chamaria de excelente. E 90% dos pacientes atingem uma melhora ao menos razoável. Mas estou usando um critério bem rigoroso para fazer essa porcentagem. O critério que uso é quando o paciente consegue se livrar da ansiedade com seus próprios meios. Quando o paciente não é mais dependente nem de medicação nem de ajuda externa. Quando ele consegue entender o mecanismo de sua própria ansiedade, as vezes até conviver com esse mecanismo sem se deixar adoecer, e tocar sua vida normalmente. Este não é o critério normalmente utilizado quando se trata o paciente pela alopatia. Pela alopatia busca-se a supressão dos sintomas e uma qualidade relativamente boa de vida do paciente. Busca-se apenas uma supressão dos sintomas desagradáveis com um tempo de tratamento que pode variar de seis meses até mesmo para sempre. Quando usamos uma medicação psicotrópica, muitas vezes é um tratamento de uso contínuo. Na homeopatia, o efeito do medicamento bem prescrito também pode levar em torno de seis meses, mas em uma questão de um ano e meio a dois, se houver um suporte adequado, se houver uma boa resposta do paciente, nesse tempo o paciente já poderá deixar de fazer uso da medicação.

DM: É muito importante que a pessoa consiga ter esses recursos, tanto da alopatia quanto homeopatia, não é mesmo?
AP: Eu acho muito importante. Não sou um homeopata dito radical. Acho que hoje a homeopatia é vista nos meios científicos de uma maneira muito diferente do que era vista em 1796, quando foi criada. Hoje nós usamos a homeopatia dentro da clínica geral como um recurso importante para tratar o paciente como um todo, mas nunca dispensamos qualquer outro recurso.

DM: É mito que a homeopatia é a mesma medicação psicotrópica, mas de forma fracionada?
AP: Isso é mito. A medicação homeopática é totalmente diferente da medicação comum, chamada alopática. Para começar, existe uma polêmica muito grande, porque na essência a medicação homeopática não possui matéria. Ela é tão diluída que não há mais moléculas. Então, se você tivesse que fazer um medicamento cuja matéria prima fosse areia, e existe um medicamento assim, chamado Silícia, você teria um medicamento tão diluído que não existiria mais átomos de silício. Mas como isso faz efeito? Como pode ajudar de fato? Existem, fisicamente falando, outras propriedades da matéria, hoje felizmente já bem conhecidas e detectadas, que apesar de não serem átomos, mas sim subpartículas atômicas, interferem nas propriedades da matéria de quem as toma, e que são responsáveis pelos efeitos.

DM: Aproveitando que vivenciamos ainda a pandemia de covid, de que forma a homeopatia poderia contribuir aumentando a resistência? Como podemos aumentar a imunidade da pessoa?
AP: É interessante esse conceito de imunidade aumentada para combater covid-19. Nós ainda não temos isso muito claro, mesmo porque em alguns pacientes com reação imunológica muito exacerbada, é onde as complicações acontecem. Então não diríamos imunidade aumentada, mas sim imunidade adequada. Saber lidar com o vírus sem que ele cause uma reação exagerada que venha prejudicar o seu próprio corpo é que é o “pulo do gato”. A homeopatia, dentro do tratamento de covid, ajuda justamente nisso: tentando fazer com que a imunidade do paciente se adeque realmente à reação necessária. Se for uma reação imunológica muito grande, os processos inflamatórios ficam enormes e temos complicações. Se for uma reação muito pequena, nós não conseguimos combater o vírus. Então é isso que buscamos – a adequação da imunidade. Podemos fazer uma prevenção? Não existe, eticamente falando, nenhuma medicação homeopática que possa garantir uma prevenção 100% contra o vírus. Propaganda sobre isso nós encontramos em todos os lugares, mas não passam de especulações. Nós não temos nenhuma posição oficial de nenhum órgão nacional que diga que este ou aquele medicamento possam prevenir contra o vírus. A assepsia, os cuidados preventivos continuam sendo a melhor indicação.

DM: A homeopatia abrange todas as áreas da saúde?
AP: A homeopatia é um sistema de tratamento. É considerada uma especialidade médica abrangente. Podemos usar a homeopatia para tratar qualquer situação em que podemos ter uma abordagem médica – crianças, adultos, idosos, gestantes, acamados. A homeopatia pode entrar como coadjuvante em qualquer outra especialidade médica, no pré e no pós-cirúrgico, na ortopedia, endocrinologia, em todas as especialidades. Ela não se limita a algumas patologias apenas.

DM: Então ela pode trabalhar em conjunto com outras linhas de tratamento, como uma pessoa que tem problemas cardiovasculares, por exemplo?
AP: Sim, há medicamentos que incentivam o metabolismo justamente no sentido de redirecionar o cálcio para que ele não se acumule nas artérias, redirecionar o colesterol, existem medicamentos que podem ajudar o metabolismo numa síndrome neoplásica ou cancerosa, outros que podem ajudar no preparo para cirurgias, na hipertensão, no diabetes, menopausa. Estas situações são frequentes no consultório.
DM: Vamos falar de um assunto delicado agora. Entramos em farmácias que comercializam medicamentos homeopáticos e vemos hoje gôndolas com todos os tipos de solução, para ansiedade, depressão, entre outros. Como funciona isso?
AP: De fato, o que se chama de homeopatia no Brasil é equivocadamente chamado assim. Homeopatia é a medicação individualizada, prescrita pelo protocolo homeopático e realizado somente para aquela pessoa, para aquela finalidade, numa farmácia especializada para homeopatia. Os medicamentos que chamamos de estoque, de rede, de propaganda, que se dizem homeopáticos, podem ter metodologias e princípios homeopáticos, mas não são verdadeiramente homeopáticos. A homeopatia está crescendo não apenas no Brasil, como no mundo. E o que diz isso são principalmente as ações que existem contra a homeopatia, que parece ter começado a incomodar bastante. Acredito que o esclarecimento seja o melhor caminho para remover os mitos sobre a homeopatia. Agradeço pelo espaço e pela iniciativa da D Marília por abordarem este assunto.

SAIBA MAIS
O médico homeopata Alexandre Peres Clínica atende na clínica Anima e Soma, que fica na Avenida Cascata, 111, Maria Isabel. Telefones para contato (14) 3316-2003 ou 3316-2006.

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