
João Guerreiro Rodrigues
Especialista da Leggio Consultoria diz que combinação de guerras, sanções e problemas logísticos tem pressionado oferta e elevado preços dos combustíveis.
O conflito no Oriente Médio, somado à guerra na Ucrânia e às sanções contra a Rússia, tornou o panorama do setor de energia significativamente mais complexo nas últimas semanas, avalia Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria.
Segundo D’Elia, a convergência desses fatores reduziu a oferta de derivados, como gasolina e diesel, e elevou os preços na bacia do Atlântico — impacto que alcança América do Norte, América do Sul e Europa. Dados de inflação recentes apontaram que cerca de metade da alta verificada esteve ligada ao comportamento dos preços dos combustíveis.
Entre as causas citadas estão ataques ucranianos a refinarias russas, que diminuiu a disponibilidade de produtos refinados, e as sanções aplicadas à Rússia pelos Estados Unidos, que também restringiram a capacidade de países como Índia e Turquia de vender combustíveis à Europa, aumentando a demanda pelo refino local europeu.
Uma das iniciativas mencionadas envolve a decisão do governo americano de retirar sanções sobre navios “fantasmas” ligados a Rússia e Irã para tentar ampliar a oferta de combustíveis. D’Elia considera, porém, que a medida terá efeito limitado se a União Europeia não adotar ações similares, mantendo um impasse que dificulta a normalização do mercado.
Além da oferta, a logística de transporte se tornou um ponto crítico. Para evitar áreas de conflito, petroleiros têm recorrido a rotas alternativas, como operações de shuttle no Golfo de Omã, e a Arábia Saudita tem usado oleodutos para escoar petróleo pelo Mar Vermelho, contornando o estreito de Bab al-Mandeb. Essas rotas, contudo, também vêm sendo alvo de ataques, sem apresentar solução definitiva para a normalização.
D’Elia alerta ainda para a pressão sobre a disponibilidade de embarcações: rotas mais longas e períodos maiores de ocupação dos navios reduzem a frota efetivamente disponível, e não há uma forma rápida de aumentar esse parque para suprir a demanda adicional de transporte.
Para o especialista, a restauração do fluxo regular pelo Golfo Pérsico e pelo Mar Vermelho seria a solução estrutural, mas isso permanece fora do alcance enquanto os conflitos persistirem.
Fonte: CNN Brasil. Leia a reportagem original.
Fonte: Diário Brasil
