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Elon Musk, ao lado de outros líderes do ramo de inteligência artificial, após encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: Kent Nishimura/AFP

O homem mais rico do mundo e magnata da tecnologia, Elon Musk, voltará a assumir uma função no governo do presidente dos EUA, Donald Trump, como assessor em projeto sobre o futuro da guerra. O retorno de Musk, que desembarcou do governo de forma ruidosa após desentendimentos com Trump no ano passado, foi anunciado na quarta-feira pelo chefe do Pentágono, o secretário de Defesa Pete Hegseth.

— Estamos aproveitando uma fonte única de vantagem americana, uma que nossos adversários não têm: nossos inovadores, nossas grandes lideranças e nossos tecnólogos — afirmou Hegseth em um pronunciamento na base militar de Quantico.

O bilionário sul-africano vai dividir a liderança do “Projeto Meridian” — anunciado pelo secretário como “um esforço liderado pelas melhores mentes dos EUA para o estudo do futuro da guerra” — com o co-fundador da empresa do setor de defesa Anduril Industries, especializada em sistemas de guerra autônomos avançados, e Newt Gingrich, ex-presidente republicano da Câmara dos EUA.

Ainda de acordo com Hegseth, o objetivo do projeto é “examinar criativamente o futuro e identificar os campos que devemos dominar e as capacidades que devemos aperfeiçoar”. Os integrantes do projeto incluirão líderes do setor privado selecionados pessoalmente e especialistas de diversas áreas da inovação, do meio acadêmico e das políticas públicas. As conclusões do projeto devem ser apresentadas em um prazo de 120 dias.

As empresas de Musk já são grandes contratadas do Pentágono. A SpaceX está construindo as redes de satélites para o escudo de defesa antimísseis “Golden Dome” (Domo Dourado, em tradução livre), que Trump anunciou no começo de seu mandato. A empresa de inteligência artificial xAI assinou um acordo este ano permitindo que os militares utilizem seu chatbot Grok em sistemas sigilosos.

O retorno ao governo, porém, representa uma reaproximação importante após um rompimento público com a administração Trump. Musk comandou brevemente o Doge, criado para promover cortes nos gastos públicos em todo o governo federal dos EUA, mas deixou o governo em maio de 2025 — com um desentendimento público de grande repercussão.

O bilionário mostrou incômodo com um megaprojeto de gastos no centro de política doméstica de Trump, sobretudo com a parte tributária do projeto, chegando a chamá-lo de “abominação” e alegar que poderia “levar os EUA à falência”. À época, Trump afirmou que a reação do então aliado era motivada pelo corte de incentivo à indústria de carros elétricos — o que chegou a afetar as ações da Tesla.

Desde então, os magnatas se reconciliaram, e Musk voltou a ser presença frequente na Casa Branca — embora de forma menos visível do que na passagem anterior, quando visitava frequentemente o Salão Oval, inclusive acompanhado pelo seu filho pequeno.


Na terça-feira, ele esteve sentado ao lado de Trump em um almoço com executivos de inteligência artificial, ocasião em que se juntou a outros líderes de tecnologia para assinar um acordo voluntário de segurança em IA, descrito pelo presidente como “moralmente vinculativo”. Na semana passada, compareceu ao jantar de Estado oferecido por Trump ao presidente chinês, Xi Jinping, e, em maio, viajou a Pequim a bordo do Air Force One como parte da delegação empresarial que acompanhou Trump em sua visita oficial à China.

Ele também retomou as doações para causas republicanas, incluindo contribuições multimilionárias a candidatos individuais e grupos políticos conservadores. Após investir mais de US$ 250 milhões para apoiar Trump e outros republicanos nas eleições de 2024, Musk destinou pelo menos US$ 90 milhões às eleições de meio de mandato de novembro, segundo levantamentos de registros da Comissão Eleitoral Federal.
Com informações de AFP

Fonte: Diário Do Brasil

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