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O aposentado Antonio Carlos Striotto Marins, de 67 anos, morreu em 22 de maio após enfrentar uma longa batalha judicial para conseguir um medicamento de alto custo contra o câncer, que já estava incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com o mesmo quadro clínico.
Segundo informações do processo, ele aguardou cerca de sete meses entre o início da ação e a primeira aplicação do remédio. Nesse período, a doença evoluiu e atingiu o cérebro. Marins chegou a receber três doses do medicamento, mas não resistiu.
O medicamento em questão é o Keytruda (pembrolizumabe), uma imunoterapia produzida pela farmacêutica MSD (Merck Sharp & Dohme). Esse tipo de tratamento atua estimulando o sistema imunológico a identificar e atacar células cancerígenas, sendo considerado uma das principais inovações recentes da oncologia, especialmente em casos de melanoma e câncer de pulmão.
Judicialização e custos
O Keytruda é um dos medicamentos mais judicializados no Brasil, com mais de 5.500 ações na Justiça estadual e 1.276 na esfera federal. O custo elevado também contribui para esse cenário: cada dose pode variar entre R$ 15.800 e R$ 50 mil, dependendo do sistema de aquisição.
Atrasos e disputa judicial
De acordo com a reportagem, mesmo com a incorporação do medicamento ao SUS para casos como o de Marins, houve demora no fornecimento. A família precisou recorrer ao Judiciário, e a decisão favorável não foi cumprida dentro do prazo inicial, o que levou a novos pedidos e até à solicitação de bloqueio de recursos públicos para garantir o tratamento.
A advogada que representou o paciente afirmou que o caso foi marcado por uma série de entraves administrativos e judiciais que atrasaram o início da terapia, permitindo a progressão da doença durante o período de espera.
Reflexão sobre o sistema de saúde
O caso foi citado por autoridades e especialistas como exemplo da chamada “judicialização da saúde”, quando pacientes precisam recorrer à Justiça para ter acesso a tratamentos já previstos no sistema público.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comentou o caso, destacando que situações como essa reforçam a necessidade de reduzir a dependência do Judiciário para garantir acesso a medicamentos já incorporados ao SUS.
Com informações de Poder360
