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A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest trouxe sinais positivos para Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. O senador não apenas manteve a liderança absoluta dentro do campo da direita, como também apresentou crescimento na lembrança espontânea do eleitorado, indicador considerado estratégico por campanhas presidenciais. 

Na pesquisa espontânea, Flávio subiu de 13% para 14%, mostrando avanço na consolidação do seu nome nacionalmente. Já no cenário estimulado de primeiro turno, chegou a 33%, mantendo-se como o principal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva. O dado mais relevante para aliados do senador é que isso ocorre mesmo após semanas de forte desgaste político envolvendo o bolsonarismo e investigações contra figuras próximas da direita. 

Outro ponto comemorado pelo entorno de Flávio é a percepção crescente de que ele possui um perfil mais moderado que outros integrantes da família Bolsonaro. A própria pesquisa dedicou um bloco específico para medir essa impressão junto ao eleitorado, especialmente entre independentes. A estratégia de transmitir uma imagem mais institucional e menos explosiva começa a produzir efeitos fora do núcleo bolsonarista tradicional. 

Regionalmente, o desempenho no Sul segue extremamente forte e, no Sudeste, a disputa aparece em empate técnico. É justamente aí que surge o principal problema político da candidatura: Minas Gerais.

Embora a pesquisa não traga números isolados do estado, Minas está inserida no Sudeste, região onde Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados. Historicamente, porém, Minas Gerais funciona como uma espécie de “termômetro” das eleições presidenciais e frequentemente decide disputas nacionais. O estado possui um eleitorado menos ideológico e mais sensível à economia, ao custo de vida e à percepção de moderação dos candidatos. 

Para aliados de Flávio, o desafio é claro: enquanto ele domina o eleitorado bolsonarista mais fiel, ainda precisa ampliar penetração no eleitor moderado mineiro, especialmente nas cidades médias e na região metropolitana de Belo Horizonte. A rejeição histórica da família Bolsonaro em parte do eleitorado mineiro continua sendo vista nos bastidores como um obstáculo importante.

Além disso, Lula ainda preserva força entre eleitores de menor renda e beneficiários de programas sociais — segmentos muito relevantes em Minas Gerais. 

Mesmo assim, a leitura predominante entre aliados do senador é que a pesquisa mostrou um cenário mais favorável do que o esperado. Flávio manteve competitividade nacional, mostrou resiliência eleitoral e começa a construir uma imagem própria além do sobrenome Bolsonaro. O problema é que, em eleições presidenciais no Brasil, quase sempre existe um estado que acaba decidindo o jogo — e, mais uma vez, todos os olhares parecem apontar para Minas Gerais. 

POR JÚNIOR MELO

Fonte: Diário Do Brasil

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