Igreja de Pendotiba, em Niterói, segue liturgia tridentina da missa, com o padre de costas para os fiéis e celebrando em latim — Foto: Marina Calderon

O sino toca 15 minutos antes da missa. Enquanto crianças brincam no pátio da Capela Nossa Senhora da Conceição, em Pendotiba, Niterói (RJ), homens de camisa social e mulheres com véus sobre os cabelos ocupam os bancos de madeira. Quando o padre entra, todos se levantam. Voltado para o altar — e de costas para os fiéis — ele inicia a celebração em latim. O rito, abandonado pela Igreja Católica após o Concílio Vaticano II (reforma realizada de 1962 a 1965) segue vivo nas comunidades da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo tradicionalista que voltou ao centro do debate após o Vaticano excomungar cinco sacerdotes e reconhecer como cismática (rompida com Roma) uma de suas comunidades no Brasil na sexta-feira.

Roma endureceu o discurso de cisma após a Fraternidade ter consagrado bispos sem autorização papal; ainda assim, o movimento diz permanecer fiel à Igreja Católica. Presente em 37 países, com 637 sacerdotes e cerca de 600 mil fiéis, mantém capelas e missões em 11 estados brasileiros e no Distrito Federal. Embora minoritário, o movimento ganhou visibilidade nos últimos anos, impulsionado pelas redes e por influenciadores ligados ao tradicionalismo católico.

Em Pendotiba, a missa acompanhada pelo GLOBO, voltada ao sacerdócio, reuniu 16 pessoas. Mas aos domingos, o cenário muda. Segundo a comunidade, a capela reúne cerca de 800 fiéis, muitos chegando mais de uma hora antes da celebração para conseguir lugar. Situação semelhante é relatada em outras unidades, como no Ceará e em Santa Maria (RS), onde parte do público acompanha a missa do lado de fora quando a igreja lota.

— As redes sociais facilitaram o acesso a conteúdos de influenciadores e comunidades tradicionalistas, aproximando jovens e famílias dessas propostas. Esses grupos ganharam visibilidade pela busca de maior segurança doutrinária e valorização da identidade católica — diz o doutor em Teologia Luciano Santos.
Com informações de O GLOBO

Fonte: Diário Do Brasil

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