
A Procuradoria-Geral da República (PGR) opinou contra o pedido de prisão do banqueiro Daniel Vorcaro feito pela Polícia Federal. No entanto, o ministro André Mendonça, relator do caso, decidiu favoravelmente ao pedido dos investigadores da PF.
A PGR reclamou do curto prazo para análise e avaliou que não havia urgência na medida. O pedido foi distribuído na sexta-feira (27).
“O prazo exíguo, contado em horas, cogitado para a manifestação do Ministério Público é de impossível atendimento pelo titular da ação penal. O encaminhamento dos autos acompanhado do pedido de cota do parquet envolve situações relacionadas a dez pessoas físicas e a cinco pessoas jurídicas, envolvidas em fatos de alta complexidade e se refere a pedidos de medidas drásticas, de mais intensa interferência sobre os mais elementares direitos fundamentais dos investigados”, escreveu a PGR.
O MPF avaliou que não havia perigo iminente e que as investigações poderiam ser prejudicadas. “Não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos à Procuradoria-Geral da República, a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”, apontou.
“Requeiro, por isso, que as providências aguardem a manifestação do titular da ação penal a ser enviada no mais breve tempo possível. Assinalo que antes dessa análise, a Procuradoria-Geral da República não pode ser favorável aos pedidos cautelares”
A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (4) o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante a terceira fase da operação Compliance Zero. A nova etapa da investigação mira um esquema de fraudes financeiras e há mandados de prisão contra outras três pessoas ligadas ao caso. Também estão sendo cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Tanto as prisões como as buscas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.
A decisão de prender Daniel Vorcaro foi tomada porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens planos de ações violentas. Segundo as investigações da PF, Vorcaro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A turma”, do qual participavam Fabiano Zettel, um ex-diretor do Banco Central do Brasil, um ex-chefe de departamento da instituição e um policial civil aposentado. O ex-banqueiro teria autorizado a execução de um plano em que indivíduos contratados por ele simulariam um assalto contra a vítima.
Fonte: Icl noticias
