
Alysson Mascaro, denunciado sob suspeita de assediar alunos na USP — Foto: Reprodução
Um ex-professor da Universidade de São Paulo (USP) foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de assédio sexual, importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável que teriam sido cometidos contra alunos. A Justiça deve agora analisar o documento e decidir se aceita ou não a denúncia.
Em reportagem publicada em janeiro de 2025, ex-alunos do professor ouvidos pelo g1 o acusaram de assédio sexual em relatos feitos de forma reservada. À época, a defesa do professor negou os fatos e afirmou que os depoimentos não teriam indício de materialidade.
Segundo os ex-alunos ouvidos, os abusos seguiam um roteiro. Começavam com conversas prometendo indicações profissionais e a menção de ligações influentes que o docente teria na área jurídica. Depois, ele convidava os alunos para conhecerem sua casa, na região central de São Paulo, local onde teria ocorrido a maioria dos crimes.
Um ex-aluno contou que, durante a pandemia de Covid-19, em 2020, começou a participar de forma remota de um grupo de pesquisa coordenado por Mascaro. O primeiro assédio sexual teria ocorrido dois anos depois, quando este grupo passou a ter encontros presenciais.
Antes de um dos encontros, que aconteceu fora de São Paulo, o professor teria pedido que o estudante fosse até o hotel em que ele se hospedava, para conversarem. Mascaro teria convidado este aluno para ir até o quarto dele, o abraçado, reclamado do calor que fazia na cidade e sugerido que os dois tirassem a camisa. O ex-professor teria ainda abraçado o rapaz uma segunda vez antes de ele ir embora e, nesta ocasião, tentado dar um beijo no rosto dele.
Outro ex-aluno, também integrante de um grupo de pesquisa remoto coordenado por Mascaro, relata que acabou se aproximando do professor. Segundo o estudante, em 2021, o docente gostava de conversar com ele sobre musculação, e passou a pedir fotos dele sem camisa, para acompanhar a evolução do rapaz na academia.
Durante um encontro presencial entre os dois, em São Paulo, o aluno foi convidado a se hospedar no apartamento de Mascaro. Logo que chegou no local, relatou ter recebido um abraço que o deixou desconfortável.
— Ele me acomodou no quarto de hóspedes. Pouco tempo depois, chegou para me dar um tal ‘abraço de Platão’. Esse contato foi muito desconfortável. Foi muito mais demorado que um abraço comum. Ele cheirou o meu pescoço e aproximou a pélvis dele da minha. Eu o afastei, muito constrangido, dizendo que queria lhe dar uma lembrança que trouxe de minha cidade — disse o rapaz, para o g1.
Depois, teria vindo ainda um segundo abraço e o ex-aluno relata ter sentido que o professor estava excitado.
— Nessa segunda vez senti que o pênis dele estava ereto. Imediatamente, com bastante força, afastei o corpo do assediador do meu, dizendo em alto e bom tom que ele estava me deixando muito constrangido e desconfortável, que ele estava passando dos limites. Em razão da força que coloquei para que me soltasse, ele acabou me deixando. Passou então a dizer que eu havia me enganado, que ele não estava fazendo nada demais — afirmou o rapaz.
A veiculação dos relatos levou a USP a abrir uma apuração interna sobre o caso. Mascaro foi afastado temporariamente em 2024 e demitido em fevereiro deste ano. Ao longo da investigação, a universidade ouviu estudantes que acusaram o professor de assédio sexual.
Na época, a defesa de Mascaro afirmou que os relatos eram falsos. “Há de se ressaltar que todos os supostos relatos (anônimos) contra o professor surgem em um contexto no qual diversos perfis fakes de Instagram são criados para propagar calúnias, inverdades e estimular intrigas entre ele e pessoas do ambiente acadêmico”, afirmaram os advogados do professor.
Com informações de O GLOBO
