
(PL-RN) (Jefferson Rudy/Agência Senado)
Aprovada com apoio esmagador pela Câmara dos Deputados, a lei que acaba com a escala de trabalho 6×1 não terá a mesma facilidade para avançar no Senado. Nesta etapa da votação, o texto patrocinado pelo governo Lula enfrenta uma pesada articulação da oposição bolsonarista, que tenta emplacar uma contraproposta, e a dificuldade para superar o mal-estar nas relações entre o Planalto e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Para barrar o fim da 6×1 no Senado, a oposição aposta em uma PEC alternativa que “flexibiliza” a lei trabalhista, permitindo jornadas de até 44 horas semanais sem restrição aos dias trabalhados. A proposta, segundo o autor Rogério Marinho (PL-RN), abre espaço para negociações entre funcionário e empregador sobre a remuneração proporcional às horas de serviço.
A nova PEC já conta com as assinaturas de 40 senadores — nove a menos do que os votos necessários para sua eventual aprovação em plenário –, incluindo o influente carimbo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Único presidenciável com assento no Senado, o filho Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro apadrinhou o projeto como carro-chefe da campanha contra Lula nas urnas, em outubro.
Já nos últimos dias, parlamentares governistas se movem em campanha contra a PEC bolsonarista, afirmando que a proposta cria a escala “7×0”. Além da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que é uma das autoras do projeto do governo, parlamentares como Erika Kokay (PT-DF), Maria do Rosário (PT-RS) e Benedita da Silva (PT-RJ) dispararam nas redes que a direita é “inimiga da classe trabalhadora” e “trabalha para ampliar o poder dos patrões”.
Alcolumbre
Com duas PECs sobre a jornada de trabalho na mesa, uma do governo e uma da oposição, Davi Alcolumbre terá papel decisivo para o avanço de qualquer das duas propostas — e a posição do presidente do Senado é incerta. Até o momento, ele enviou apenas o texto de Marinho à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Otto Alencar (PSD-BA), que é próximo ao governo Lula, enquanto o projeto governista segue em sua gaveta.
Pesa contra o Planalto o distanciamento entre Alcolumbre e Lula, agravado pelas recentes derrotas do governo federal envolvendo Jorge Messias e o PL da Dosimetria. Por outro lado, o presidente do Senado vem manifestando disposição a “dar cabo” da pauta trabalhista antes das eleições e pode buscar uma solução “bem-bolada” entre ambas as partes — já tendo em vista que a proposta, caso seja alterada pelos senadores, terá que voltar à Câmara para nova votação.
Com informações de VEJA
Fonte: Diário Do Brasil
