Plenário do STF durante sessão de julgamento — Foto: Gustavo Moreno/STF

Entre alianças sólidas, divergências acaloradas e aproximações pontuais, o Supremo Tribunal Federal (STF) reúne quatro blocos de ministros, revela levantamento do GLOBO a partir dos votos em mais de sete mil processos em 2026 e 2025. A análise, feita com o auxílio de inteligência artificial, mostra que a “geopolítica da Corte” tem um grupo mais sólido, porém menos numeroso e muitas vezes vencido; e outros três com integrantes que se movem estrategicamente para formar maiorias.

À frente dos casos de maior impacto no STF no momento, como as investigações sobre o Banco Master e as fraudes no INSS, o ministro André Mendonça forma ao lado de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux o grupo mais coeso — e, por ser minoritário, o que fica isolado com mais frequência. Nos casos em que não houve unanimidade em votações neste ano, os ministros votaram juntos, em alguma medida, em três a cada quatro vezes.

Mais distantes deles, estão três correntes, com formações menos fixas. Uma delas é composta por Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Dias Toffoli; outra reúne Cármen Lúcia e o presidente da Corte, Edson Fachin, os dois mais envolvidos na adoção de um Código de Conduta; e a terceira é representada por Flávio Dino e Alexandre de Moraes. A análise aponta ainda um movimento da última dupla: Moraes está mais perto do bloco com Gilmar, Zanin e Toffoli, enquanto Dino também tem afinidades com Cármen e Fachin.

O GLOBO levou em conta os processos que tramitaram nos plenários físico e virtual do colegiado de dez ministros — a Corte está com um integrante a menos desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no fim do ano passado. Os dados mostram, além das afinidades entre os integrantes do STF, os ministros que mais figuraram dentro da corrente vencedora nos julgamentos deste ano: Cármen, seguida por Zanin e Gilmar.

A geografia pôde ser observada, por exemplo, no julgamento da tese que definiu a responsabilização das big techs pelos conteúdos publicados, quando Mendonça, Nunes Marques e Fux fizeram contrapontos. Um dos pontos, por exemplo, tratou da obrigação de plataformas retirarem do ar, imediatamente, conteúdos criminosos. O trio defendeu a medida, mas com a ponderação de ser necessário haver “manifesta ilicitude” para tal enquadramento — uma espécie de gradação para a imposição, que não constou da tese vencedora.
Com informações de O GLOBO

Fonte: Diário Do Brasil

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