O presidente Luiz inácio Lula da Silva (PT) • Ricardo Stuckert/PR

Empresas de apostas esportivas que patrocinam programas de televisão notificaram emissoras como Globo, Band e RedeTV! sobre a possibilidade de rescindir contratos caso o governo federal adote restrições mais rígidas para o funcionamento do setor ou determine o fim das bets no Brasil.

Segundo informações publicadas nesta quinta-feira (24), Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte estão entre as empresas que já comunicaram a possibilidade de rompimento dos acordos. As notificações também teriam sido encaminhadas a clubes da Série A do Campeonato Brasileiro que mantêm contratos de patrocínio com as casas de apostas.

As bets estão entre os principais anunciantes da televisão aberta. De acordo com dados da Tunad, empresa que monitora o mercado publicitário, o setor investiu R$ 153 milhões em intervalos comerciais e cotas de patrocínio somente em agosto.

Emissoras avaliam impacto

Diante da possibilidade de mudanças nas regras, as emissoras já avaliam alternativas para substituir os espaços atualmente ocupados pelas empresas de apostas. A Record, por exemplo, não avançou na negociação de uma nova cota de patrocínio de A Fazenda com a Betano, que mantinha parceria com o programa desde 2021.

Na Band, estão sendo avaliados contratos de naming rights relacionados aos programas Jogo Aberto e Os Donos da Bola.

A movimentação ocorre enquanto o governo discute novas medidas para o setor. Em reunião realizada nesta semana, representantes da Casa Civil e dos ministérios da Fazenda e da Justiça trataram do combate às plataformas ilegais e de possíveis restrições às apostas. Entre as alternativas em discussão estão mudanças nas regras de publicidade e restrições aos cassinos on-line.

Lula defende medidas mais rígidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou recentemente ter disposição para acabar com as bets no país. Ao mesmo tempo, o governo ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre o futuro das plataformas.

Em entrevista recente, Lula afirmou que considera as apostas prejudiciais à sociedade e defendeu medidas de combate ao vício e à expansão do setor. A discussão envolve também os impactos econômicos das bets sobre emissoras de televisão, clubes de futebol e outros segmentos que recebem investimentos publicitários das empresas.

Enquanto não houver uma nova decisão regulatória, as empresas autorizadas continuam submetidas às regras atualmente vigentes para o mercado de apostas de quota fixa no Brasil.

Fonte: Terra Brasil

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