Kátia Abreu (PP-TO), ex-senadora e aliada de Lula — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu fez um dos discursos de maior repercussão na reunião da cúpula do PT realizada nesta terça-feira (6), em Brasília, para discutir o resultado do primeiro turno das eleições. Recém-filiada ao partido e coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, ela criticou a coordenação nacional, a estratégia de comunicação e a participação da primeira-dama Janja da Silva na campanha.

Segundo relatos de participantes do encontro, Kátia afirmou que a coordenação nacional da campanha é formada por “paulistas sem voto” e defendeu uma maior participação de lideranças de outras regiões do país. Na avaliação dela, seria necessário ampliar a diversidade regional na tomada de decisões da campanha.

A ex-senadora também criticou a estratégia de comunicação adotada no primeiro turno. Segundo os relatos, Kátia avaliou que a campanha seguiu um caminho equivocado e que isso contribuiu para o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da eleição à frente de Lula.

Outro ponto levantado por Kátia foi a participação de Janja nas atividades eleitorais. A ex-ministra defendeu que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tenha mais espaço na campanha e resumiu sua posição com a frase “Menos Janja, mais Alckmin”. A declaração foi recebida com aplausos pelos participantes da reunião.

Posteriormente, em entrevista à GloboNews, Kátia confirmou a crítica e afirmou que não tinha nada pessoal contra a primeira-dama. Segundo ela, a comparação foi feita sob uma perspectiva política e eleitoral, com o objetivo de defender uma presença maior de Alckmin.

A ex-senadora destacou especialmente a atuação de Alckmin na área econômica e seu perfil de diálogo com diferentes setores. O vice-presidente também passou a ser apontado dentro da campanha como um nome que deverá ter participação mais ativa na segunda etapa da eleição.

As críticas de Kátia ocorreram em meio a uma reunião marcada por cobranças sobre a estratégia adotada pelo PT no primeiro turno. Outros participantes também defenderam mudanças na comunicação e uma maior presença de Lula em regiões onde teve desempenho inferior.

O presidente do PT, Edinho Silva, reconheceu que a campanha terá mudanças no segundo turno e afirmou que Alckmin deverá estar mais próximo das atividades eleitorais para ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade.

No dia seguinte à reunião, Lula também criticou a organização da campanha. Segundo relato do UOL, o presidente afirmou que aquela havia sido a campanha “menos organizada” de que participou desde 1989 e reconheceu que o desempenho nas redes sociais ficou abaixo do esperado.

As discussões internas ocorrem enquanto a campanha presidencial se prepara para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.

Fonte: Terra Brasil

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