A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência está em processo de contratação de empresas para assumir a gestão digital do governo Lula. O edital de licitação estipula um investimento de R$ 197 milhões para a contratação de quatro agências. No dia 6 de fevereiro, a Secom iniciou a análise das propostas apresentadas pelas empresas concorrentes.

As empresas selecionadas terão a responsabilidade de moderar e administrar os conteúdos veiculados nas redes sociais dos Ministérios e das pastas vinculadas à Presidência. Os contratos terão uma duração inicial de um ano, com a possibilidade de prorrogação, e as vencedoras serão remuneradas aproximadamente R$ 49 milhões cada.

Uma das demandas do governo é que as empresas utilizem “técnicas de machine learning e A.I (inteligência artificial) para realizar a análise de sentimento de notícias de interesse do Governo Federal”. Outra condição para a seleção envolve a realização de pesquisas “de alta intensidade” nas redes sociais sobre assuntos relacionados ao governo. Essas atividades visam, por exemplo, avaliar a recepção das ações do presidente Lula e de seus ministros no cenário digital.

Em dezembro do ano passado, o ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Paulo Pimenta, comunicou sua intenção de contratar serviços para impulsionar as redes sociais do governo e desenvolver uma “política digital”. O ambiente digital ainda permanece como um território predominantemente bolsonarista, especialmente em aplicativos de troca de mensagens como Telegram e WhatsApp.

“Não existe na Secom um contrato de publicidade e de produção de conteúdo digital. Qualquer empresa, governo estadual ou prefeitura tem”, disse Pimenta em entrevista ao jornal O Globo. “Hoje, nós não fazemos impulsionamento institucional, não temos uma política nesse sentido. Só existe uma política publicitária. Não tem na área digital”, completou.

A concorrência para a licitação adotou o formato de melhor técnica em vez de melhor preço, conforme critério estabelecido pelo governo. As empresas interessadas em obter os contratos milionários tiveram até a última terça-feira, 5, para apresentar propostas técnicas e de preços que demonstrem sua capacidade de realizar tarefas como mapeamento da presença digital dos Ministérios e produção de podcasts.

A escolha do governo Lula pela modalidade de julgamento impede a desclassificação das concorrentes devido a preços elevados que possam eventualmente ser cobrados pelos serviços. Isso implica que o custo da contratação pode ultrapassar os R$ 197 milhões, desde que as empresas demonstrem competência técnica e expertise para atender às demandas estabelecidas.

A pasta justificou no edital que a contratação “tem como objetivo o atendimento ao princípio da publicidade e ao direito à informação, por meio de ações de comunicação digital que visam difundir ideias e princípios, posicionar instituições e programas, disseminar iniciativas e políticas públicas, informar e orientar o público em geral”.

A Secretaria de Comunicação (Secom) está exigindo das empresas a inovação na criação, implementação e desenvolvimento de estratégias de comunicação digital, com o objetivo de ampliar o alcance das mensagens e conteúdos governamentais. Uma das apostas principais do governo Lula para fortalecer a presença do ex-presidente nas redes sociais foi o podcast semanal “Conversa com o presidente”, porém, este não obteve o sucesso esperado em termos de audiência e não alcançou o impacto das lives semanais realizadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os contratos na área de comunicação e propaganda assinados pela Secom têm histórico de valores elevados, atingindo cifras na casa dos três dígitos de milhões. Atualmente, a secretaria mantém acordos com quatro agências de publicidade responsáveis pela coordenação das campanhas midiáticas do governo. Cada uma dessas empresas recebeu pelo menos R$ 450 milhões no contrato inicial de um ano firmado em 2022.

Uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU), conforme revelado pelo Estadão, aponta que uma das empresas contratadas pela Secom durante o governo Bolsonaro e que teve seus contratos renovados pela administração Lula está sendo investigada por fraude em licitação ocorrida durante o mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). A Agência Nacional de Comunicação, mesmo sob escrutínio da área de fiscalização, possui contratos que ultrapassam R$ 920 milhões com o governo federal. O sócio-presidente da empresa já foi condenado por corrupção em campanhas publicitárias que teriam sido superfaturadas em Rondônia.

Com informações de Estadão

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