
John Kiriakou trabalhou como analista e agente de campo para a CIA durante 14 anos. Posteriormente, foi condenado a 30 meses de prisão [Foto cedida por John Kiriakou].
Declarações feitas pelo ex-agente da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), John Kiriakou, em um podcast internacional voltaram a levantar discussões sobre os limites da vigilância digital e a capacidade de serviços de inteligência acessarem dispositivos eletrônicos.
Durante entrevista ao programa The Diary of a CEO, Kiriakou afirmou que aparelhos como celulares, televisores inteligentes e sistemas computadorizados de veículos podem ser explorados por agências de inteligência para coleta de informações e monitoramento remoto.
Segundo o ex-agente, essa capacidade não seria exclusiva dos Estados Unidos. Ele citou serviços de inteligência de países como Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Rússia, China, Israel e Irã como nações que também possuiriam recursos tecnológicos para invadir dispositivos conectados.
Trajetória de John Kiriakou na CIA
Kiriakou trabalhou como analista de inteligência e oficial de operações no Centro de Contraterrorismo da CIA. Ele também atuou como investigador sênior do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano.
Em 2012, tornou-se o único ex-integrante da CIA condenado por revelar publicamente informações sobre o programa de interrogatórios da agência. O caso envolveu o vazamento de documentos sigilosos para um jornalista, incluindo informações sobre técnicas de interrogatório consideradas controversas.
Entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2015, Kiriakou cumpriu pena em uma instituição correcional federal na Pensilvânia. Depois disso, permaneceu por mais três meses em prisão domiciliar até concluir a sentença.
Caso Vault 7 e capacidades atribuídas à CIA
Durante a entrevista, o apresentador Steven Bartlett questionou o ex-agente sobre a segurança dos dispositivos modernos e se smartphones e outros aparelhos pessoais poderiam estar vulneráveis a acessos externos.
Em resposta, Kiriakou mencionou o episódio conhecido como Vault 7, série de documentos divulgados pelo WikiLeaks em 2017 que, segundo ele, teriam sido obtidos por meio de um vazamento interno da CIA.
O material descrevia supostas ferramentas utilizadas pela agência para operações digitais. Entre as capacidades citadas por Kiriakou está a possibilidade de transformar uma smart TV em um dispositivo de captação de áudio, mesmo quando aparentemente desligada.
De acordo com o ex-agente, a tecnologia permitiria que aparelhos conectados fossem utilizados para coletar informações do ambiente ao redor.
Veículos e sistemas digitais
Kiriakou também afirmou que serviços de inteligência possuem conhecimento sobre formas de acessar sistemas eletrônicos de veículos.
Segundo ele, tecnologias desse tipo poderiam permitir interferências em sistemas computadorizados de automóveis. O ex-agente declarou que essas capacidades já eram conhecidas dentro da CIA desde a década de 1980 e que recursos semelhantes fazem parte do arsenal tecnológico de diferentes agências ao redor do mundo.
Ao final da entrevista, Kiriakou reforçou o alerta sobre o uso cotidiano de dispositivos conectados e afirmou que usuários devem ter consciência dos riscos relacionados à privacidade digital em uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia.
Fonte: Terra Brasil
