O ministro do STF Alexandre de Moraes: investigacao necessaria, avalia jornal | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu nesta terça-feira (6), em Brasília, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma reunião que não constava na agenda oficial da Corte. Também participaram do encontro o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa, e o delegado Denis de Carli. As informações foram divulgadas pelo Poder360.

A reunião ocorreu cerca de um mês depois de Andrei e Almada terem sido afastados preventivamente dos cargos por determinação do ministro André Mendonça. A medida foi tomada em 8 de setembro, após a divulgação de relatórios de Inteligência da PF que continham informações sobre a atuação de Moraes e foram utilizados pelo ministro em um pedido de providências contra Mendonça.

Relatórios da PF provocaram disputa no STF

Segundo a Polícia Federal, os documentos foram produzidos entre 3 e 31 de agosto, por determinação de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News. O material teria sido entregue diretamente ao ministro por Andrei Rodrigues.

Moraes encaminhou os relatórios ao presidente do STF, Edson Fachin, e apontou possíveis indícios de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade relacionados à atuação de Mendonça em investigações envolvendo o Banco Master e suspeitas de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Mendonça contestou a atuação da PF e, ao determinar o afastamento de Andrei e Almada, afirmou que a corporação havia realizado um monitoramento irregular de suas atividades. Os documentos reuniam informações sobre reuniões, decisões e outras atividades do ministro.

Andrei Rodrigues negou a existência de monitoramento ilegal. Em manifestação enviada a Fachin, afirmou que a PF apenas cumpriu uma determinação judicial de Moraes e argumentou que os relatórios tinham caráter institucional. Segundo o diretor-geral, a ausência dos nomes dos analistas responsáveis pelos documentos seguia regras de proteção aplicáveis aos profissionais de Inteligência.

O afastamento durou apenas um dia. Andrei e Almada foram posteriormente reconduzidos aos cargos por decisões tomadas no Supremo e continuam à frente de suas respectivas áreas na PF.

Relação com Banco Master também está sob análise

Moraes e Andrei também foram citados em outro episódio relacionado ao Banco Master, instituição que era controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.

Em abril de 2024, os dois estiveram em Londres durante o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, evento que teve o Banco Master entre os patrocinadores. Documentos posteriormente encaminhados pela PF à CPMI do INSS indicaram que Moraes, Andrei, Vorcaro e outras autoridades participaram, em 25 de abril daquele ano, de uma confraternização no George Club, em Mayfair, que contou com cerca de 40 pessoas.

Segundo a PF, as despesas de hospedagem, alimentação e transporte de Andrei durante a viagem foram custeadas pela organização do fórum.

O episódio voltou a ser discutido após o avanço das investigações sobre o Banco Master e a análise de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O material contém referências ao ministro Alexandre de Moraes e ao diretor-geral da PF.

Mensagens de Vorcaro são analisadas

Um relatório produzido pela PF a pedido de Mendonça apontou mensagens nas quais Vorcaro teria procurado Moraes antes de ser preso, em novembro de 2025. Outras conversas também mencionariam Andrei Rodrigues.

A análise da PF, entretanto, não atribuiu automaticamente a prática de crimes às autoridades apenas com base nas mensagens, encontros ou referências encontradas no material.

Parte das comunicações foi tornada pública por Mendonça em 1º de setembro. Entre os registros estavam mensagens atribuídas a Vorcaro para um número associado a Moraes, inclusive em período próximo à prisão do empresário.

No caso de Andrei, também foram identificadas mensagens nas quais Vorcaro teria pedido a interlocutores que procurassem o diretor-geral da PF. O conteúdo passou a ser analisado para esclarecer se as autoridades mencionadas tiveram alguma participação relacionada às investigações envolvendo o Banco Master.

Diante do caso, Edson Fachin solicitou à Polícia Federal informações sobre todas as autoridades citadas no material apreendido. Em ofício encaminhado à corporação em 2 de outubro, o presidente do STF afirmou que adotará as providências necessárias após receber a relação completa dos nomes, “sem exceção de pessoa”.

Fachin também marcou uma reunião com Andrei Rodrigues para 13 de outubro. A expectativa é que a PF apresente formalmente ao presidente do Supremo os nomes de ministros mencionados nas conversas obtidas durante as investigações relacionadas ao Banco Master.

Fonte: Terra Brasil

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