
Foto: Alejandro Zambrana/STF e Edilson Rodrigues/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou, nesta quinta-feira (8), a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cumprimento imediato da pena imposta ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, seu irmão. Durante uma transmissão nas redes sociais, Flávio pediu a renúncia do magistrado e afirmou que cerca de 50 senadores apoiam o impeachment de ministros da Corte.
Segundo informações divulgadas pelo O Antagonista nesta quinta-feira (08), na transmissão, o senador relacionou a decisão judicial ao resultado das eleições do último domingo e declarou que a medida teria provocado uma reação de eleitores.
“Alexandre, entenda uma coisa. Esse tipo de decisão gerou uma grande quantidade de votos de revolta, e não por acaso chegamos a 50 senadores que são a favor do impeachment de ministros do Supremo”, afirmou Flávio.
Em seguida, acrescentou: “O Senado vai proteger o Supremo de você”.
Flávio também questionou a ordem de prisão, argumentando que Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos e recebeu visto permanente de residência do governo de Donald Trump.
“Sinceramente, não entendo a intenção do Moraes em mandar prender o Eduardo”, declarou o senador, antes de pedir: “Faça esse bem pela nação, Moraes, e renuncie”.
O parlamentar ainda defendeu a permanência do irmão no exterior, afirmando que a atuação dele nos Estados Unidos ocorre em defesa da “democracia e da liberdade de expressão”.
Decisão do STF prevê prisão e outras medidas
Alexandre de Moraes declarou o trânsito em julgado da condenação de Eduardo Bolsonaro, etapa que encerra a possibilidade de recursos ordinários contra a decisão. O ministro determinou a expedição do mandado de prisão e a inclusão do documento no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões.
A decisão também prevê o cancelamento dos passaportes do ex-deputado e a adoção de providências para a perda de seu cargo de escrivão da Polícia Federal. Os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro ficam suspensos durante os efeitos da condenação.
O STF condenou o ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Segundo a acusação, ele atuou nos Estados Unidos junto a autoridades americanas para pressionar o Judiciário brasileiro e tentar interferir no julgamento da trama golpista, que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão.
Eduardo Bolsonaro classifica decisão como “arbitrária”
Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro também leu uma nota divulgada pelo irmão após a decisão de Moraes. No texto, Eduardo classificou a medida como “arbitrária, inoportuna e inócua” e afirmou que os Estados Unidos não cumprem ordens judiciais dessa natureza.
Segundo a nota, a decisão, tomada durante o período eleitoral, teria como efeito prático “acirrar os ânimos no país”.
O comunicado também menciona o próximo dia 25, data do segundo turno, como o momento em que o eleitorado dará o “recado final”. O texto afirma que Flávio Bolsonaro será eleito e que, “com o novo Congresso, vai restaurar a normalidade no Brasil”. Essa afirmação representa a expectativa expressa por Eduardo na nota.
Fonte: Terra Brasil
