Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux (à esq.) e Alexandre de Moraes durante sessão da Corte em fevereiro passado — Foto: Cristiano Mariz/O Globo

Um episódio ocorrido na tarde de terça-feira foi o estopim da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux de pedir para acessar na íntegra os autos do inquérito das fake news e de outros três processos relacionados a ele: a reunião entre Alexandre de Moraes e os três principais dirigentes da Polícia Federal (PF), sobre a qual pouco se sabe, mas que deixou os ânimos na Corte em polvorosa.

Segundo a equipe da coluna apurou com interlocutores de ministros do STF, a presença do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, do diretor da Divisão de Crime Organizado, Dennis Cali, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, causou estranheza. Segundo eles, não seria normal um ministro receber os chefes de divisão todos juntos – a menos que alguma operação especial esteja sendo planejada. Em casos de inquéritos específicos, a praxe é o ministro se reunir com o delegado do caso.

O fato de Moraes ter visitado o gabinete de Edson Fachin logo após o encontro com os chefes da PF provocou ainda mais burburinho na Corte, onde integrantes próximos à ala pró-André Mendonça passaram a temer que esteja em curso alguma iniciativa para retomar o controle do inquérito das fake news ou “desarmar alguma bomba” relacionada à investigação, que desde 9 de setembro está sob o controle do presidente do STF.

Em sua decisão, Fux deu 48 horas para a Secretaria Judiciária fornecer o material, para que ele possa analisar se procedem as irregularidades que o partido PP atribui a Moraes – como abrir o inquérito de ofício, ou seja, sem solicitação do Ministério Público Federal (MPF), conduzir a investigação e julgar caso ao mesmo tempo, entre outras questões relacionadas ao processo das milícias digitais, movido contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 22 pessoas.

A ação do PP, porém, ingressou no STF em abril de 2024. Já o inquérito das fake news, aberto desde 2019, passou à relatoria de Edson Fachin, presidente do Supremo, em setembro passado, às vésperas da sessão do tribunal em que os ministros se digladiaram por conta do pedido de André Mendonça pela abertura de uma investigação sobre a relação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com Alexandre de Moraes.

Em resposta ao pedido de Mendonça, Moraes também pediu uma investigação contra o colega, a quem acusou de abuso de autoridade ao encomendar um relatório da PF sobre as 53 mensagens que trocou com Vorcaro. Para subsidiar suas afirmações, Alexandre de Moraes também usou usou um relatório de inteligência da Polícia Federal, só que apócrifo e com alegações que o próprio documento classifica como sem valor de prova.

De acordo com informações do relatório, ele foi produzido na unidade de inteligência da divisão administrada por Cali.

Foi por esse histórico que o encontro entre Moraes e os chefes da PF colocou em alarme a ala do tribunal mais próxima à Mendonça, da qual Fux faz parte. Mas nem a Polícia Federal e nem o STF informaram qual foi o assunto e nem por que ele foi realizado neste momento.
Com informações de O GLOBO/ MALU GASPAR

Fonte: Diário Brasil

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