
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Foto: Ricardo Stuckert / PR
O governo do Paraguai convocou nesta quinta-feira (30) o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, após declarações de Lula (PT) sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870). A decisão foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, como manifestação de repúdio às falas do presidente brasileiro.
Segundo Lezcano, o embaixador deverá participar de uma reunião nesta sexta-feira (31), ao meio-dia, com o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana. Na ocasião, ele receberá uma nota diplomática oficial. O chanceler também informou que Lula e o presidente Santiago Peña conversaram por telefone sobre o episódio.
A reação ocorreu após um discurso de Lula no dia 24, em Jacareí (SP), durante uma defesa de mais investimentos nas Forças Armadas brasileiras. O presidente citou a invasão do Paraguai ao Brasil, ao Uruguai e à Argentina e afirmou que o conflito durou cinco anos.
– Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos – disse Lula, ao defender que as Forças Armadas fossem “bem preparadas e treinadas”.
Lezcano afirmou que o governo paraguaio manterá sua posição diante das declarações do presidente brasileiro.
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– A dignidade do Paraguai não se negocia. Sempre defenderemos os mais altos interesses do Paraguai em todos os âmbitos – acrescentou o chanceler.
A declaração também provocou manifestações de parlamentares paraguaios. O presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, criticou Lula e afirmou que o conflito representa um episódio central da história do país.
– Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente – afirmou Latorre.
O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, disse que a fala gerou reação por tratar de um episódio ligado à memória e à identidade nacional do Paraguai. Apesar das críticas, defendeu a manutenção das relações entre os dois países.
Nuñez afirmou que as relações entre Paraguai e Brasil “devem continuar se fortalecendo sobre a base do respeito mútuo, o diálogo franco”.
O deputado oposicionista Rubén Rubín também acusou Lula de tentar alterar a interpretação sobre o conflito.
– Um povo que esquece sua história permite que outros a reescrevam conforme lhes convêm. E é exatamente isso que Lula tenta fazer – declarou.
Já a senadora Esperanza Martínez, da Frente Guasú, de esquerda, classificou as declarações como “resquícios do imperialismo que tentam ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio e abuso por parte da elite brasileira”.
COM INFORMAÇÕES DE PLENO NEWS
Fonte: Diário Brasil
