“Vou interferir”, teria dito Bolsonaro a ministros sobre troca na PF para proteger família, em maio de 2020 | Crédito: Marcos Corrêa/PR

A Polícia Federal concluiu, pela segunda vez, que não há provas de interferência indevida do ex-presidente Jair Bolsonaro na corporação, segundo publicação do Estadão. A revisão foi realizada na atual gestão e reafirma o entendimento já adotado anteriormente no inquérito.

A investigação havia sido reaberta por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após novas análises sobre o caso.

O inquérito teve origem na saída do então ministro da Justiça Sergio Moro, que afirmou à época ter sofrido pressão para mudanças em cargos da PF.

De acordo com a nova avaliação, mesmo com a reanálise dos elementos já reunidos, não foram encontrados indícios suficientes para sustentar a imputação de crime.

“Merece ser mencionado que o IPL 2021.0031208 – CCINT/CGCINT/DIP/PF apurou objeto específico, que, sob a ótica das diligências realizadas à época dos fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais”, afirmou o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo.

A conclusão segue a mesma linha adotada pela corporação ainda durante o governo Bolsonaro.

Na ocasião, o então procurador-geral da República, Augusto Aras, já havia solicitado o arquivamento do caso. Agora, sob o governo Lula, a PF manteve o entendimento de ausência de provas contra o ex-presidente.

Moraes reabre investigação

Em 16 de outubro do ano passado, Moraes autorizou a reabertura do inquérito da PF que apura suposta interferência de Jair Bolsonaro na corporação. A decisão atendeu a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A investigação teve início após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, em 2020, quando ele apontou pressão do presidente para mudanças na direção da PF. Em 2022, a corporação concluiu que não houve ingerência e pediu o arquivamento.

Ao solicitar a reabertura, Gonet citou mensagens enviadas por Bolsonaro a Moro sobre a exoneração do então diretor-geral Maurício Valeixo e a divulgação, no dia seguinte, de informações sobre investigações envolvendo aliados. Para o procurador, seria necessário apurar se houve “efetivamente” interferência na Polícia Federal.

Ainda segundo Gonet, em depoimento à PF, Moro declarou que uma das razões para a troca no comando da PF citada pelo ex-presidente seria a “falta de acesso a relatórios de inteligência da PF”, embora o presidente já tivesse acesso ao que era permitido legalmente, por meio do Sistema Brasileiro de Inteligência e da Abin.

Com informações de O Antagonista.

Fonte: Diário Do Brasil

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