Cármen Lúcia acompanha sessão do STF marcada por bate-boca e acusações entre ministros – (crédito: Agência Brasil) crédito: Agência Brasil

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) foi marcada por bate-bocas, acusações e momentos de tensão entre os ministros. Dentro e fora do plenário, a movimentação expôs o clima de divisão na Corte durante a análise do caso relacionado ao Banco Master.

De um lado do plenário, a ministra Cármen Lúcia foi vista apoiando o queixo nas mãos e, em alguns momentos, a testa, em reação ao ambiente da sessão. À frente dela, o decano Gilmar Mendes manuseava um grande volume de páginas com mensagens apreendidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A segurança também chamou atenção. Pelo menos oito policiais permaneceram no plenário, número considerado incomum. Os agentes circulavam entre as cadeiras e observavam a plateia. Em determinado momento, um segurança chamou a atenção de uma pessoa que utilizava mímicas para se comunicar à distância.

Como havia orientação para silêncio absoluto, os presentes passaram a trocar bilhetes.

Moraes e Mendonça ficaram lado a lado

Pela ordem de antiguidade dos ministros no STF, André Mendonça e Alexandre de Moraes, protagonistas do embate envolvendo o caso Master, ocupam cadeiras lado a lado.

Durante a leitura do relatório pelo presidente da Corte, Edson Fachin, os dois não interagiram. Depois, porém, houve um confronto entre os ministros.

Moraes acusou Mendonça de ter articulado uma investigação contra ele no caso Master. Mendonça classificou a acusação como mentira.

Enquanto não discursava, Mendonça manteve as mãos em posição de oração em alguns momentos, além de batucar na mesa e fazer marcações nos documentos com uma caneta marca-texto rosa.

Moraes, por sua vez, balançava a cadeira, olhava para o teto, utilizava o celular e fazia anotações nos documentos do processo.

TV Justiça evitou mostrar confrontos

A TV Justiça foi orientada a não focalizar diretamente os embates entre os ministros. A transmissão manteve os áudios e, quando as discussões aumentavam, direcionava a imagem para Fachin.

Quem estava no plenário, porém, acompanhou os episódios, incluindo momentos em que ministros gesticularam e apontaram os dedos durante as discussões. Os celulares dos presentes haviam sido lacrados.

Dino conversa com Fachin e Mendonça

Durante o intervalo, por volta das 13h, Flávio Dino se aproximou de Fachin, fez um aceno de paz e afirmou que as críticas feitas anteriormente à condução do presidente do STF não tinham caráter pessoal.

Dino também conversou com Mendonça. Segundo interlocutores dos dois ministros, a conversa não tratou do mérito do processo, mas dos procedimentos adotados por Fachin.

Na retomada da sessão, por volta das 15h30, Dino voltou a criticar a condução dos trabalhos. Na sequência, pediu vista do processo, interrompendo o julgamento.

Após deixar o plenário, Dino foi acompanhado por Gilmar Mendes até a sala de lanches anexa à Corte. Segundo o relato, os dois foram vistos dando gargalhadas antes de retornarem aos seus lugares para acompanhar o restante da sessão.

Toffoli permaneceu no plenário

O ministro Dias Toffoli, que havia reforçado sua declaração de suspeição em relação às investigações do caso Master, permaneceu durante toda a sessão.

Em diversos momentos, Toffoli pressionou com os dedos a região entre as sobrancelhas e também conversou em voz baixa com Gilmar Mendes.

Ex-presidentes do STF que haviam enviado a Fachin um manifesto defendendo uma solução para a crise não compareceram à sessão. Os assentos reservados a eles permaneceram vazios.

Fachin deixa plenário acompanhado

A sessão terminou por volta das 18h20. Fachin deixou o plenário acompanhado por Cármen Lúcia e Luiz Fux, que, segundo o relato, demonstraram apoio ao presidente da Corte.

Depois, os ministros seguiram para a sala de lanches, de onde, novamente, foram ouvidas gargalhadas.

Com informações de Folha de S. Paulo.

Fonte: Terra Brasil

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