
REPRODUÇÃO ESTADÃO
A Universidade de São Paulo (USP) é a líder entre as brasileiras no Quacquarelli Symonds (QS) World University Rankings: América Latina e Caribe, mas perde a primeira posição da região para a Pontifícia Universidade Católica do Chile. O ranking internacional divulgado nesta quinta-feira, 1.º, aponta o Brasil com um dos sistemas de ensino superior mais sólidos da América Latina e do Caribe. São quatro universidades do País entre as 10 melhores da região e 12 entre as 50 mais bem colocadas.
Um outro ranking educacional internacional divulgado na última terça-feira, 29, apresentou resultado semelhante. No Times Higher Education (THE) World Ranking 2027, o Brasil garantiu o melhor desempenho de todos os tempos, com a USP alcançando a 141.ª posição global. Pela primeira vez, uma instituição brasileira ficou entre as 150 melhores do mundo. A USP também foi a mais bem classificada no recorte da América Latina. Neste ranking, a Pontifícia Universidade Católica do Chile ficou em segundo lugar.
Ranking internacional coloca USP em primeiro lugar no Brasil e em segundo na América Latina. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
De acordo com os responsáveis por ambos os rankings, diferenças nas metodologias aplicadas explicam os resultados ligeiramente diferentes. O ranking da QS World University Rankings: América Latina e Caribe leva em conta um fator que não é medido na outra listagem, a reputação da instituição entre empregadores. O critério está em declínio na maioria das instituições brasileiras. Segundo os responsáveis pelo ranking, essa divergência pode refletir a dificuldade de traduzir a solidez acadêmica em relevância para o mercado de trabalho.
De acordo com o novo ranking, o Brasil lidera a representação regional, com 137 universidades classificadas, quase o dobro do número da Colômbia ou do México. O Brasil possui o maior número de universidades entre as mais bem classificadas da região.
América Latina e Caribe – 20 melhores
O Brasil domina os indicadores de pesquisa. Cinco universidades estão entre as dez melhores da região tanto em “Rede Internacional de Pesquisa” quanto em “Artigos por Docente”, além de quatro no indicador “Citações por Artigo”. A USP é a instituição de pesquisa com maior colaboração internacional da América Latina, ocupando o primeiro lugar em “Rede Internacional de Pesquisa”.
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A produtividade na pesquisa é outro ponto forte. Entre as melhores da região por “Artigos por Docente”, quatro eram brasileiras. De acordo com os organizadores do ranking, os resultados refletem a solidez do sistema de pesquisa nacional. “A força contínua da USP, Unicamp e Unesp sugere que essa base institucional continua capaz de produzir pesquisas de excelência apesar de anos de pressão financeira”, destacou o relatório.
Essa excelência na pesquisa gera uma sólida reputação internacional, com três universidades brasileiras entre as dez melhores em “Reputação Acadêmica”, mais do que qualquer outro país. A USP é a líder nacional, seguida pela Unicamp e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
“A permanência da USP na segunda posição no QS América Latina reforça seu lugar de destaque entre as universidades com melhor desempenho na região”, afirmou a coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da USP, Renata Ferretti-Rebustini. “Alcançar a pontuação máxima em cinco dos oito indicadores avaliados é para nossa comunidade acadêmica um motivo de grande satisfação; é uma conquista que resulta do trabalho de toda a comunidade da USP e merece ser celebrada.”
O ponto fraco para o Brasil é “Reputação entre Empregadores”, com apenas sete universidades nacionais aparecendo entre as cem melhores neste indicador.
Essa divergência, aponta o relatório, “pode refletir dificuldades em traduzir a solidez acadêmica em relevância para o mercado de trabalho. Pesquisas com empregadores brasileiros destacam a demanda por competências técnicas quanto por habilidades interpessoais, enquanto estimativas do setor sugerem que o Brasil precisará capacitar ou requalificar 14 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2027. A sólida posição acadêmica do Brasil, portanto, parece coexistir com desafios mais amplos de adequação de competências”.
“A ‘Reputação entre Empregadores’ continua sendo um desafio, com pontuações em declínio em 79% das instituições classificadas este ano, mais do que em qualquer outro indicador”, afirmou o vice-presidente sênior da QS, Ben Sowter. “Isso aponta para uma lacuna de percepção cada vez maior, que pode refletir até que ponto os graduados brasileiros são vistos como capazes de atender às demandas práticas dos empregadores.”
O QS World University Rankings 2027: América Latina e Caribe reuniu 517 universidades de 27 países. O Brasil é o país mais bem representado no ranking, por uma margem significativa, com um total de 137 instituições. A classificação é determinada pelas pontuações das instituições em oito indicadores-chave.
Com informações de ESTADÃO
Fonte: Diário Do Brasil
