
Por Renato Pernambucano
Em agosto de 2022, enquanto o governo americano empurrava novas doses de reforço e defendia mandatos, Anthony Fauci registrava em seu diário pessoal que a proteção das vacinas contra infecção e transmissão era “baixa a modesta, na melhor das hipóteses”.
A revelação, tornada pública pelo senador Rand Paul (R-Ky.), mostra que autoridades de saúde deliberadamente evitaram admitir essa limitação para não enfraquecer a base legal dos mandatos e a campanha de reforços.
Segundo a entrada no diário de 13 de agosto de 2022, Fauci, o então cirurgião-geral Vivek Murthy e outros convenceram a diretora do CDC, Rochelle Walensky,a não declarar publicamente que as vacinas “não eram eficazes de forma alguma em prevenir infecção e transmissão”.
Fazer isso, escreveu Fauci, entraria em conflito com a recomendação de um novo reforço contra a variante BA.5 e prejudicaria os esforços do Departamento de Justiça para sustentar os mandatos.
| “As autoridades não admitiriam que a vacina não estava impedindo a transmissão porque isso poderia enfraquecer o caso legal dos mandatos. Isso não é ciência. Isso é encobrimento para justificar a coerção.” |
| Senador do Partido Republicano, Rand Paul |
Paul resumiu:
Outras anotações reforçam o padrão. Em janeiro de 2021, Fauci já registrava preocupação de que“a vacina poderia estar comprometida”.No verão daquele ano, dados de Israel mostravam que a proteção da Pfizer contra a variante Delta caía em semanas, embora a proteção contra doença grave se mantivesse inicialmente.
Silêncio dos envolvidos
Em setembro de 2021, um painel consultivo do CDC recomendou reforços prioritariamente para idosos e grupos de risco. Fauci pressionou Walensky a expandir o acesso para faixas etárias mais jovens, apesar de dados insuficientes.
No dia seguinte, ela cedeu. “Rochelle me ouviu”, anotou Fauci, elogiando a “liderança clara” dela.
O diário veio à tona depois que Fauci se recusou a responder perguntas sobre o documento durante depoimento no Senado, em 29 de julho de 2026, invocando a Quinta Emenda.
Ele não comentou as revelações. Walensky e Murthy também não responderam a pedidos de comentário.
Investigações estaduais contra Fauci
A divulgação precipitou uma nova onda de investigações estaduais. A procuradora-geral da Louisiana, Liz Murrill, anunciou que abrirá inquérito contra Fauci.
Em postagem no X, ela foi direta: “Fauci mentiu.”
Murrill lembrou que Louisiana e Missouri já haviam deposto o ex-conselheiro, que alegou não se lembrar de detalhes importantes de suas ações.
A Louisiana não está sozinha. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou investigação em 29 de julho, declarando em duas postagens no X:
| “já passou da hora de obtermos a verdade sobre o que aconteceu durante a COVID.” |
| Procurador-geral da Flórida, James Uthmeier |
O senador Tommy Tuberville (R-Ala.) disse que o Alabama também pretende apurar possíveis responsabilidades. Uma coalizão de 17 estados já investigava Fauci desde 2025 por declarações enganosas e supressão do debate científico.
O procurador-geral da Carolina do Sul e líder da coalizão, Alan Wilson, também foi contundente em uma postagem de 29 de julho no X:
| “O povo americano também tem direito à transparência e à responsabilização por parte dos funcionários públicos cujas decisões afetaram milhões de vidas. Continuaremos buscando a verdade porque o povo americano não merece nada menos.”Procurador-geral da Flórida, James Uthmeier |
O perdão de Biden e o futuro do caso
Fauci, que dirigiu o NIAID de 1984 a 2022 e foi o principal conselheiro médico da Casa Branca sob Biden, recebeu perdão preventivo do presidente Biden no início de 2025, cobrindo crimes federais entre 2014 e janeiro de 2025.
As ações estaduais miram eventuais delitos sob jurisdição estadual, não cobertos pelo perdão. Analistas jurídicos observam, no entanto, que prazos de prescrição podem limitar o alcance de algumas acusações.
As revelações do diário e as investigações reabrem o debate sobre a distância entre a mensagem pública das autoridades e as avaliações internas durante a pandemia.
Enquanto a população recebia a garantia de que as vacinas interrompiam a transmissão e os mandatos eram justificados cientificamente, registros atuais de um dos principais formuladores de políticas de saúde dos EUA mostravam dúvidas substanciais e motivações puramente políticas para não admiti-las abertamente.
Fonte: The Epoch Times Brasil
