
Nutricionista explica se pão francês pode fazer parte da dieta • hayaship/GettyImages
Enquanto isso, a médica nutróloga Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e professora de Nutrologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), esclarece as principais dúvidas dos leitores do GLOBO sobre os cereais. Veja as respostas abaixo.
É saudável comer pipoca todos os dias?
A pipoca pode fazer parte de uma alimentação saudável e, em algumas situações, pode ser consumida diariamente. O milho é um cereal integral quando o grão é preservado, e a pipoca fornece fibras, especialmente quando preparada com o grão inteiro.
Porém, o principal cuidado está na forma de preparo. A pipoca quando preparada em casa, com pouco óleo e pouco sal, é muito diferente de pipoca de cinema ou de versões industrializadas, que podem conter grandes quantidades de gordura, sódio e outros ingredientes.
Também é importante observar a quantidade consumida, pois, apesar de ser um alimento relativamente volumoso e com boa quantidade de fibras, continua fornecendo energia, ou seja, calorias. Portanto, de uma maneira geral, não é necessário excluir a pipoca de uma alimentação saudável e ela pode, inclusive, ser uma alternativa interessante a snacks ultraprocessados.
Pão francês e torrada são alimentos saudáveis?
Ambos podem fazer parte de uma alimentação saudável, sim. O pão francês é produzido basicamente com farinha de trigo, água, fermento e sal e, isoladamente, não deve ser classificado como um alimento “não saudável”.
Ele é feito com farinha refinada e apresenta menor quantidade de fibras do que os pães elaborados com farinha integral. Mas o aspecto mais importante é o contexto da alimentação, a quantidade consumida e o que acompanha o pão.
A torrada, por sua vez, nada mais é, em grande parte, do que um pão submetido a um processo de aquecimento que reduz sua umidade. Portanto, transformar o pão em torrada não o torna automaticamente mais saudável ou menos calórico, facilita inclusive, sua absorção pelo trato digestivo.
Isso deve ser um ponto de atenção, frente às quantidades de consumo. Para melhorar a qualidade nutricional da refeição, pode-se associar o pão a fontes de proteína, como ovos, queijos ou iogurte, e a alimentos ricos em fibras, como frutas e vegetais.
Cuscuz de milharina é melhor do que pão?
Não existe uma resposta universal de que o cuscuz seja “melhor” do que o pão. Tanto o cuscuz de milho quanto o pão podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. O cuscuz de milharina é uma preparação à base de milho e, dependendo da marca e do processamento, pode apresentar quantidade relativamente baixa de fibras.
O pão francês também é predominantemente fonte de carboidrato e, quando produzido com farinha refinada, apresenta menor quantidade de fibras. Na prática, a diferença nutricional entre eles pode ser pequena quando as porções são semelhantes.
O que pode fazer maior diferença é a composição da refeição. Como exemplo, um cuscuz acompanhado de ovos e vegetais pode proporcionar uma refeição mais completa do que um cuscuz consumido isoladamente.
Da mesma forma, um pão acompanhado de ovos, queijo e uma fruta pode ser nutricionalmente muito adequado. Portanto, não é necessário escolher um alimento como “vilão” e outro como “mocinho”, é mais importante considerar quantidade, frequência, acompanhamentos e o padrão alimentar como um todo.
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Ao eliminar glúten e açúcar, emagreci 19 kg em 6 meses, comendo muito bem outros alimentos não processados. Minha fonte de carboidrato passou a ser raízes, tubérculos. Eliminei alergias e problemas gástricos. Pergunto: corro risco de ficar celíaco ao não comer mais glúten?
Não. Retirar o glúten da alimentação não causa doença celíaca. A doença celíaca é uma doença autoimune relacionada à ingestão de glúten em pessoas geneticamente predispostas, e não surge porque uma pessoa deixou de consumir glúten.
O que pode acontecer é outra situação: se houver suspeita de doença celíaca e a pessoa permanecer por muito tempo em dieta sem glúten, os exames utilizados para investigação podem se tornar falsamente negativos, porque dependem da exposição ao glúten.
Portanto, se a pessoa já retirou o glúten e deseja investigar doença celíaca, é importante conversar com o médico antes de simplesmente voltar a consumi-lo, para definir a melhor estratégia diagnóstica. Também é importante diferenciar doença celíaca de alergia ao trigo e de sensibilidade ao glúten não celíaca, que são condições diferentes.
No caso relatado, a perda de 19 kg em seis meses provavelmente está muito mais relacionada à mudança global do padrão alimentar, à redução de alimentos ultraprocessados, à redução da ingestão energética e à maior qualidade da alimentação do que simplesmente à retirada do glúten ou do açúcar.
Se os sintomas gastrointestinais desapareceram, isso é clinicamente relevante, mas não significa necessariamente que o glúten fosse a causa. Além disso, raízes e tubérculos, como mandioca, batata, batata-doce, inhame e cará, podem ser excelentes fontes de carboidratos, desde que inseridos em quantidades adequadas e dentro de uma alimentação variada.
Como dois pães franceses todo dia. Faz mal?
Para a maioria das pessoas, comer dois pães franceses por dia não faz mal por si só. A avaliação deve considerar o restante da alimentação, o gasto energético, o objetivo nutricional, a presença de diabetes, dislipidemia ou outras condições metabólicas e, principalmente, o que acompanha esses pães.
Dois pães franceses fornecem uma quantidade moderada de carboidratos e energia, mas isso não significa que sejam prejudiciais. O problema seria quando o consumo de pão contribui para um excesso energético habitual ou quando substitui sistematicamente alimentos nutricionalmente mais interessantes, como frutas, verduras, legumes, leguminosas e fontes adequadas de proteína.
Para algumas pessoas, especialmente aquelas com maior necessidade de fibras ou controle glicêmico, pode ser interessante alternar o pão francês com opções integrais ou outras fontes de carboidratos, mas não há necessidade de proibi-lo. Em nutrologia, o mais importante é avaliar o indivíduo e o padrão alimentar como um todo, e não classificar um alimento isoladamente como “bom” ou “ruim”.
Com informações de O Globo.
Fonte: Diário Brasil
