
REPRODUÇÃO GAZETA BRASIL
Um simples teste de saliva pode, no futuro, detectar o câncer de estômago em estágios iniciais, eliminando a necessidade de procedimentos invasivos e potencialmente salvando milhares de vidas. É o que sugere uma nova e promissora pesquisa. Também conhecido como câncer gástrico, o tumor é frequentemente associado a bactérias como a Helicobacter pylori, que habitam o estômago. No entanto, até agora, a ciência não havia identificado com precisão quais outras espécies desencadeiam a doença ou como esses organismos chegam ao órgão.
No Brasil, o cenário da patologia é preocupante. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio de 2026 a 2028 estimam a ocorrência de 22.530 novos casos anuais, com um risco de 10,52 casos por 100 mil habitantes. Desse total, são previstos 13.830 diagnósticos em homens e 8.700 em mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de estômago ocupa a quinta posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país, reforçando a urgência de métodos de diagnóstico acessíveis.
Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Shanghai Jiao Tong e da BGI Genomics identificaram 20 espécies de bactérias encontradas de forma consistente no estômago de pacientes com a doença. Segundo os cientistas, esses microrganismos causam um acúmulo de ácido gástrico que leva a alterações cancerígenas. A descoberta crucial é que a maioria dessas bactérias começa a vida na boca, migrando posteriormente para o estômago.
O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, defende que, no futuro, pacientes poderão realizar testes de saliva regulares para buscar sinais dessas bactérias. Isso permitiria detectar a doença em sua fase mais precoce, quando o tratamento é significativamente mais eficaz.
“O estudo é relevante porque reforça a ideia de que o câncer gástrico pode envolver um eixo microbioma oral-intestinal mais amplo, não apenas a H. pylori”, afirmou o professor Stuart McDonald, especialista em biologia gastrointestinal da Universidade Queen Mary. “Também sugere que amostras de saliva ou fezes poderiam eventualmente ajudar médicos a identificar o tumor sem exames invasivos.
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