
Um estudo publicado em 30 de julho na revista científica Nature Aging identificou um mecanismo que pode explicar como a frutose — açúcar presente naturalmente nas frutas e também em alimentos industrializados e bebidas açucaradas — favorece a disseminação do câncer de ovário.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Wistar, nos Estados Unidos, mostrou que a frutose pode atuar como um sinal químico capaz de estimular células tumorais a se desprenderem do tumor original e migrarem para outras regiões do organismo, contribuindo para a formação de metástases.
Segundo os pesquisadores, a descoberta ajuda a explicar por que algumas células que sobrevivem à quimioterapia continuam influenciando o avanço da doença, mesmo sem continuar se multiplicando.
O câncer de ovário costuma responder bem ao tratamento quimioterápico nas fases iniciais. No entanto, em muitos casos, a doença retorna e se espalha pela cavidade abdominal. A metástase é considerada a principal causa de morte entre pacientes com esse tipo de câncer.
Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que células resistentes à quimioterapia liberam moléculas capazes de alterar o comportamento de outras células do tumor. Neste novo estudo, os cientistas isolaram essas substâncias e as colocaram em contato com outras células de câncer de ovário.
Mesmo sem a presença das células resistentes, as moléculas liberadas foram suficientes para aumentar a capacidade de disseminação das células tumorais.
Ao analisar quais compostos eram responsáveis por esse efeito, os pesquisadores identificaram a frutose como um dos principais agentes envolvidos. Segundo a equipe, o açúcar atua como um mensageiro químico que favorece a migração das células cancerígenas, ampliando o potencial de propagação da doença.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o estudo foi realizado em modelos experimentais e que novas pesquisas serão necessárias para confirmar se o mesmo mecanismo ocorre em pacientes e se poderá ser utilizado no desenvolvimento de novas estratégias de tratamento.
