Nova pesquisa indica que combinar classes de medicamentos pode ser o melhor caminho para controlar o diabetes (Olena Malik/moment/Getty Images)

Um estudo apresentado no congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, colocou frente a frente dois medicamentos usados no tratamento do diabetes tipo 2: a tradicional metformina e a dapagliflozina, integrante da classe dos inibidores de SGLT2.

Batizado de SMARTEST, o trabalho acompanhou 2.072 adultos com diabetes tipo 2 diagnosticado havia menos de quatro anos e sem doença cardiovascular ou renal estabelecida. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber dapagliflozina ou metformina.

Segundo informações divulgadas pela Veja nesta segunda-feira (05), após um acompanhamento médio de 3,8 anos, não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos no principal desfecho analisado, que reunia morte, eventos cardiovasculares e complicações microvasculares.

Resultados ficaram praticamente empatados

Entre os participantes que receberam dapagliflozina, 41,3% apresentaram pelo menos um dos eventos considerados no desfecho principal. Naqueles tratados com metformina, o índice foi de 40,4%.

A diferença não foi suficiente para demonstrar vantagem de um medicamento sobre o outro. Mortes e eventos cardiovasculares graves também foram pouco frequentes e apresentaram resultados semelhantes entre os grupos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores ligados a universidades suecas e utilizou registros nacionais de saúde para acompanhar os participantes. O desenho permitiu avaliar os desfechos em condições próximas da prática clínica real.

Dapagliflozina não perdeu sua importância

O resultado não significa que a dapagliflozina seja um medicamento inferior à metformina. A classe dos inibidores de SGLT2 já possui benefícios demonstrados em pacientes com determinadas condições cardiovasculares e renais.

A questão levantada pelo SMARTEST é mais específica: em pessoas com diabetes tipo 2 em estágio inicial e sem doença cardiovascular ou renal estabelecida, a dapagliflozina não demonstrou superioridade à metformina na prevenção dos eventos avaliados.

Os resultados também chamaram atenção para a ocorrência de complicações microvasculares, que representaram a maior parte dos eventos observados durante o acompanhamento. Dados anteriores do próprio estudo já haviam apontado uma frequência de complicações desse tipo acima da esperada.

Mais interrupções por efeitos adversos

Outro aspecto observado foi a tolerabilidade dos tratamentos. A interrupção do medicamento por efeitos adversos ocorreu em 9,5% dos participantes que receberam dapagliflozina, contra 4,9% entre os que utilizaram metformina.

No grupo da dapagliflozina, infecções do trato urinário e da região genital estiveram entre os principais motivos relacionados aos efeitos adversos. Já a metformina apresentou principalmente queixas gastrointestinais.

O que o estudo muda na prática?

O SMARTEST não estabelece um vencedor definitivo entre os dois medicamentos. O resultado reforça que a escolha do tratamento para o diabetes tipo 2 precisa considerar as características individuais do paciente, incluindo presença de doenças cardiovasculares ou renais, controle da glicemia, tolerância aos medicamentos e outros fatores de risco.

A própria metformina continua sendo uma opção de primeira linha no tratamento do diabetes tipo 2 no protocolo do Ministério da Saúde. A dapagliflozina, por sua vez, tem indicações específicas e benefícios importantes para determinados grupos de pacientes.

No Brasil, os dois medicamentos fazem parte das opções disponibilizadas pelo sistema público em situações previstas nas políticas de assistência farmacêutica. A metformina está no Farmácia Popular para diabetes, enquanto a dapagliflozina é disponibilizada no programa para diabetes mellitus associado a doença cardiovascular.

O estudo, portanto, não derruba a metformina nem transforma a dapagliflozina em fracasso. A principal conclusão é mais simples: para pessoas com diabetes tipo 2 em estágio inicial e sem doença cardiovascular ou renal estabelecida, as duas estratégias apresentaram resultados semelhantes nos principais eventos acompanhados pelo estudo.

Fonte: Terra Brasil

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