O Hospital Beneficente Unimar (HBU) alcançou mais um marco na medicina de alta complexidade ao realizar, com sucesso, a primeira cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation – DBS), procedimento considerado uma das principais alternativas terapêuticas para pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado. A conquista amplia o acesso da população regional a um tratamento altamente especializado, antes disponível apenas em grandes centros do país.

O procedimento foi realizado em um paciente de 75 anos, diagnosticado com doença de Parkinson há aproximadamente dez anos. O quadro clínico era caracterizado por intensa rigidez muscular, lentidão dos movimentos (bradicinesia), dificuldade para caminhar e discinesias provocadas pelo uso prolongado de medicações, comprometendo significativamente sua autonomia e qualidade de vida.

De acordo com o neurocirurgião Dr. Vinicius Herbert, responsável pela equipe, a realização da cirurgia representa um importante avanço para a instituição e para toda a região.

 “Como neurocirurgião, participar da primeira cirurgia de implante de eletrodos cerebrais profundos realizada no HBU foi um momento marcante na minha trajetória profissional e também na história do hospital. A cirurgia é altamente especializada e realizada em três etapas, sendo as duas primeiras com o paciente acordado, o que nos permite realizar avaliações neurológicas em tempo real durante o posicionamento dos eletrodos. Essa interação é fundamental para alcançarmos a máxima precisão e segurança”, explica.

A Estimulação Cerebral Profunda, conhecida pela sigla DBS, do inglês Deep Brain Stimulation, é um procedimento neurocirúrgico utilizado para auxiliar no controle dos sintomas motores da doença de Parkinson e de outros distúrbios do movimento. 

A técnica consiste na implantação de eletrodos em áreas específicas do cérebro, conectados a um pequeno gerador de impulsos elétricos colocado sob a pele, geralmente na região do tórax. Esses estímulos ajudam a regular os sinais cerebrais responsáveis por sintomas como tremores, rigidez e lentidão dos movimentos. 
Segundo o especialista, os resultados foram percebidos ainda durante o procedimento.

“Após o implante dos eletrodos, realizamos testes intraoperatórios que demonstraram uma melhora muito expressiva da rigidez e da bradicinesia ainda na cirurgia. Além disso, o paciente apresentou excelente recuperação, sem intercorrências, permaneceu ao lado da família na enfermaria e recebeu alta hospitalar em menos de 24 horas após o procedimento. Isso demonstra a segurança da cirurgia quando realizada por uma equipe preparada e com toda a estrutura necessária”, destaca.

A cirurgia não cura a doença, mas pode reduzir significativamente os sintomas, diminuir a necessidade de medicamentos em alguns casos e proporcionar mais autonomia e qualidade de vida ao paciente.

Segundo o neurocirurgião funcional Dr. Edson Zucoloto, referência em cirurgias para distúrbios do movimento, a Estimulação Cerebral Profunda  proporciona um controle muito mais eficaz dos sintomas, devolvendo autonomia e qualidade de vida aos pacientes.

“A doença de Parkinson afeta diretamente os movimentos e, com o passar dos anos, muitos pacientes passam a ter dificuldades para realizar tarefas simples, como caminhar, comer, escrever ou se vestir. A estimulação cerebral profunda tem como objetivo controlar esses sintomas e devolver independência ao paciente. Após a cirurgia, inicia-se uma etapa igualmente importante, que é a programação do estimulador e o ajuste das medicações, buscando o melhor resultado para cada caso”, explica.

O especialista também destaca a importância da participação da família durante todo o tratamento. “O apoio familiar faz toda a diferença antes, durante e depois da cirurgia. O tratamento do Parkinson é um trabalho conjunto entre paciente, familiares e equipe de saúde. Hoje existem alternativas além dos medicamentos e muitas pessoas podem se beneficiar de uma avaliação especializada. Nosso maior objetivo é oferecer mais autonomia, dignidade e qualidade de vida”, afirma.

Para o Dr. Vinicius Herbert, a realização da primeira cirurgia de DBS no Hospital Beneficente Unimar demonstra a capacidade da instituição em oferecer medicina de alta complexidade com segurança e excelência. 

“Ter uma estrutura como a do HBU, capaz de oferecer um procedimento dessa complexidade, representa um grande avanço para nossa região. Isso significa que pacientes com doença de Parkinson passam a ter acesso a um tratamento moderno, seguro e baseado nas melhores evidências científicas, sem precisar buscar atendimento em centros distantes. Esse resultado é fruto de planejamento, investimento em tecnologia, dedicação de uma equipe multidisciplinar altamente qualificada e do compromisso do HBU em oferecer medicina de excelência à população”, ressalta.

A realização da cirurgia contou com a atuação integrada de neurocirurgiões, neurologistas, anestesiologistas, enfermagem, equipe de neurofisiologia, centro cirúrgico e demais profissionais envolvidos em todas as etapas do atendimento, reforçando o papel do Hospital Beneficente Unimar como referência regional em procedimentos de alta complexidade e medicina de excelência.

A superintendente do Hospital Beneficente Unimar, Márcia Mesquita Serva Reis, destaca que a conquista reforça o compromisso da instituição com a inovação e a ampliação do acesso a tratamentos de alta complexidade. 

“Cada novo procedimento de alta complexidade realizado no HBU representa muito mais do que um avanço tecnológico, significa a possibilidade de transformar vidas e oferecer esperança aos pacientes e suas famílias. A realização da primeira cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda evidencia a maturidade da nossa equipe, a excelência da estrutura hospitalar e o compromisso permanente da Unimar em investir em tecnologia, inovação e qualificação profissional. Nosso propósito é fazer com que a população de Marília e de toda a região tenha acesso aos tratamentos mais modernos, com segurança, qualidade e humanização, sem precisar se deslocar para outros grandes centros”, finaliza.  

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