Emagrecer, praticar exercícios físicos e manter uma alimentação equilibrada nem sempre são suficientes para modificar completamente a aparência do abdômen. Mesmo após uma perda significativa de peso, algumas pessoas continuam percebendo uma barriga projetada, excesso de pele ou alterações no contorno da cintura. A explicação pode estar em fatores que vão além da gordura localizada.

Embora a lipoaspiração seja um dos procedimentos mais conhecidos para melhorar o contorno corporal, ela não corrige todas as alterações da região abdominal. A presença de flacidez cutânea, afastamento dos músculos abdominais e mudanças na elasticidade da pele pode exigir abordagens diferentes, especialmente após gestações ou grandes oscilações de peso.

Segundo o cirurgião plástico Marcelo Hanato, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), compreender a origem dessas alterações é fundamental para evitar expectativas irreais sobre os resultados.

“A lipoaspiração tem como principal objetivo remover depósitos de gordura localizada e melhorar o contorno corporal. Entretanto, quando existe excesso significativo de pele ou diástase abdominal, a retirada de gordura isoladamente pode não resolver a queixa do paciente. Em determinadas situações, a abdominoplastia, associada ou não à lipoaspiração, pode ser considerada após uma avaliação individualizada”, explica o especialista.

1. A barriga continua projetada mesmo depois do emagrecimento

Nem sempre o volume abdominal está relacionado exclusivamente ao excesso de gordura. A diástase, caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen, pode contribuir para a projeção da região, especialmente após a gravidez. Nesses casos, a lipoaspiração não corrige a alteração muscular.

2. Existe excesso de pele na região inferior do abdômen

Após grandes perdas de peso ou gestações, a pele pode não recuperar completamente sua elasticidade. Quando há sobra significativa de tecido, a retirada de gordura não é suficiente para corrigir a flacidez. Dependendo do caso, a abdominoplastia pode permitir a remoção desse excesso.

3. O abdômen apresenta flacidez mesmo com pouca gordura localizada

Uma pessoa pode apresentar percentual de gordura relativamente baixo e, ainda assim, perceber alterações no contorno abdominal. Isso acontece porque a aparência da região também depende da qualidade da pele e da integridade da parede abdominal. A lipoaspiração não é um tratamento específico para flacidez importante.

4. A cintura perdeu definição após mudanças no peso

Oscilações significativas de peso podem modificar a distribuição de gordura e a elasticidade dos tecidos. Em pacientes selecionados, a associação entre lipoaspiração e abdominoplastia pode ser considerada para tratar simultaneamente gordura localizada e excesso de pele, respeitando as características anatômicas e os limites de segurança.

5. A aparência do abdômen mudou após a gravidez

A gestação pode provocar alterações na musculatura, na pele e na distribuição de gordura abdominal. Algumas dessas mudanças melhoram naturalmente ao longo do pós-parto, enquanto outras podem persistir. Por isso, é importante diferenciar flacidez, diástase e gordura localizada antes de definir qualquer tratamento.

Quando combinar lipoaspiração e abdominoplastia?

A associação dos dois procedimentos, conhecida como lipoabdominoplastia, pode ser indicada quando há necessidade de tratar diferentes alterações do contorno abdominal. Enquanto a lipoaspiração remove depósitos de gordura localizada, a abdominoplastia permite retirar o excesso de pele e, quando necessário, realizar a aproximação dos músculos retos do abdômen.

Marcelo Hanato ressalta que a decisão não deve ser baseada apenas no resultado estético desejado, mas também nas condições clínicas do paciente, na qualidade dos tecidos e nos riscos envolvidos.

“A realização conjunta dessas técnicas exige planejamento criterioso. É necessário avaliar o estado geral de saúde, a extensão dos procedimentos, o tempo cirúrgico e as condições de recuperação. Nem todo paciente é candidato à associação, e a segurança deve ser sempre a prioridade”, destaca.

O cirurgião lembra ainda que a cirurgia plástica não é um método de emagrecimento e que nenhuma intervenção garante um abdômen completamente plano. A avaliação presencial é indispensável para identificar as causas da alteração abdominal e discutir os benefícios, as limitações e os riscos de cada procedimento.

“Não existe uma técnica ideal para todas as pessoas. O mais importante é compreender o que precisa ser tratado e estabelecer expectativas realistas. A indicação correta é tão importante quanto a execução da cirurgia”, conclui Marcelo Hanato.

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No momento, você está visualizando Lipoaspiração não resolve tudo: 5 sinais de que o problema abdominal pode não ser apenas gordura. Flacidez, excesso de pele e diástase podem explicar por que a barriga continua projetada