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Os 12 mitos sobre alimentação que mais aborrecem os nutricionistas

O campo da nutrição é um terreno especialmente fértil para o surgimento de modismos que não são corroborados pela ciência.

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Na nutrição moderna não há espaço para vilões e mocinhos. Embora existam itens mais nutritivos e outros nem tanto, hoje os nutricionistas preferem considerar o contexto.

“Não há alimento proibido, tudo pode fazer parte dentro de um estilo de vida saudável”, defende a nutricionista Lara Natacci, pesquisadora na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Restrições acontecem em casos de alergia alimentar ou alguma intolerância grave, mas os ingredientes só devem sair do cardápio após o diagnóstico certeiro, realizado por médico, a partir de diferentes exames.

Afora essas situações, nada precisa ser banido. “Nenhum item isolado define a qualidade do cardápio, o mais importante é o padrão alimentar como um todo”, afirma a nutricionista Renata Juliana da Silva, professora da Etec Uirapuru/Centro Paula Souza e pós-doutoranda na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

Vanderlí Marchiori, Maristela Strufaldi, Valéria Machado e Renata Juliana da Silva (no topo, da esquerda para a direita), Lara Natacci, Carolina Pimentel e Carlos Eduardo Haluch (abaixo) contam o que não colocam no carrinho do supermercado. Foto: Divulgação
Para a nutricionista Valéria Machado, colaboradora em pesquisas no setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é importante reforçar que deixar de comprar determinados alimentos e não tê-los na despensa ou geladeira não significa que eles nunca serão consumidos fora de casa.

Ainda que certos ingredientes não façam parte da rotina, eles podem aparecer em determinadas situações, como festas. “É preciso falar em equilíbrio”, salienta Valéria.

“Saúde não é sobre radicalismos, mas sobre consistência”, pondera Valéria.

Nesse sentido, o ideal é priorizar as escolhas mais saudáveis e consumir excepcionalmente aquelas menos saudáveis. Para ajudar, perguntamos a sete nutricionistas o que eles não costumam comprar no dia a dia. Veja a seguir o que eles responderam.

Carlos Eduardo Haluch, coordenador de pós-graduação da União de Ensino Superior do Iguaçu (Uniguaçu)

Linguiça, salsicha, presunto, bacon, hambúrguer industrializado e nuggets são exemplos de carnes processadas. “Evito pelo conjunto consistente de evidências associando o consumo frequente ao maior risco de câncer e doenças cardiovasculares”, afirma.

Além do alto teor de sódio, substância que, em excesso, está relacionada a males cardiovasculares, esses produtos contêm nitritos e nitratos usados como conservantes. “Tais substâncias podem formar compostos potencialmente carcinogênicos no organismo, especialmente quando expostos a altas temperaturas ou no ambiente ácido do estômago”, explica.

Refrigerantes e bebidas adoçadas com açúcar
“Eles geram pouca saciedade, facilitando o consumo excessivo de calorias ao longo do dia”, sinaliza.

Segundo o nutricionista, a alta carga de açúcares de rápida absorção, especialmente a frutose, favorece a produção de gordura no fígado, assim como o aumento de triglicérides e o acúmulo de gordura visceral. Com o tempo, e quando há exagero na ingestão, esse mecanismo contribui para resistência à insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2 e doença hepática gordurosa, a chamada esteatose hepática.

“É um exemplo clássico de como a forma e a qualidade do alimento influenciam diretamente o funcionamento do organismo e a saúde metabólica”, diz.

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Carolina Pimentel, doutora em ciências pela USP, é certificada em medicina do estilo de vida e International Board of Lifestyle Medicine

“Para algumas pessoas, esse tipo de produto passa a impressão de que é uma opção melhor, se comparado aos refrigerantes, podendo levar ao consumo exagerado”, observa. E não faltam evidências na literatura científica de que o excesso de bebidas açucaradas está relacionado ao ganho de peso.

Iogurte com sabor de frutas
“Muitos aditivos, ou seja, flavorizantes, corantes, espessantes e conservantes podem aparecer nesse tipo de produto”, sinaliza. Algumas marcas também extrapolam no açúcar.

Para a nutricionista, o ideal é bater frutas com o iogurte natural, que deve conter apenas dois ingredientes, o leite e o fermento lácteo.

Lara Natacci, nutricionista e pesquisadora na Faculdade de Saúde Pública da USP

Ele foi riscado da lista de compras por causa de reações alérgicas. “Por muito tempo o abacaxi não fazia nenhum mal, mas comecei a ter sintomas como cólicas e outros desconfortos toda vez que comia”, conta Lara, que um dia acabou no hospital por apresentar inchaço e vermelhidão no rosto. Agora, o fruto não entra mais em sua casa pelo perigo da contaminação cruzada.

Assim como Lara, muita gente tem alergia alimentar e, nesses casos, realmente é melhor excluir os itens do dia a dia.

“O mesmo vale para indivíduos com intolerância”, avisa. O glúten, do trigo e seus derivados, é um exemplo de substância que pode estar por trás desse tipo distúrbio em uma pequena parcela da população. Vale ressaltar, entretanto, que somente com aval médico, após diagnóstico certeiro, é que alimentos devem ser banidos do cardápio.

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Maristela Strufaldi, nutricionista da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)

“Além do alto teor de sódio, conservantes e aditivos, costuma ter baixa qualidade nutricional quando comparada a fontes de proteína mais naturais, como frango, ovos ou carne fresca”, opina. Acrescente-se à lista de boas fontes proteicas as leguminosas, ou seja, feijões, lentilha, ervilha e grão-de-bico, por exemplo.

“Ele passa uma ideia de refresco ou até de fruta, mas nutricionalmente é o oposto, com excesso de açúcar, corantes e aditivos”, opina.

No dia a dia, água e água saborizada com fruta fazem mais sentido para uma rotina saudável. Sucos naturais também são bem-vindos, mas eventualmente. Frutas inteiras são sempre a melhor opção.

O principal motivo para Maristela não colocá-lo no carrinho é a presença abusiva de sódio e aditivos. “Priorizo temperos naturais como alho, cebola, ervas frescas, páprica, cúrcuma e pimenta”, enumera. Todos esses ingredientes dão sabor de forma equilibrada, fornecem substâncias especiais e ajudam a educar o paladar.

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Renata Juliana da Silva, professora da Etec Uirapuru/Centro Paula Souza e pós-doutoranda na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP

Sucos/refrescos artificiais em pó
Para a nutricionista, tais produtos “simulam” alimentos e não contribuem com nutrientes. “Contêm alta quantidade de açúcar ou adoçantes, além de corantes e aromatizantes”, diz.

No dia a dia, a professora prioriza frutas ou sucos naturais. “Além do sabor real, entregam compostos bioativos, vitaminas, minerais e fibras”, elogia.

Sopas instantâneas em pó
“Grande parte tem alto teor de sódio, presença de aditivos, realçadores de sabor, baixa qualidade proteica e pouca densidade nutricional”, observa.

Já a sopa caseira, quando bem preparada, pode ser sinônimo de refeição equilibrada.

Tanto as versões em cubos como os sachês apresentam muito sódio e glutamato monossódico. “Prefiro usar temperos naturais, que valorizam o sabor e a cultura alimentar.”

Macarrão instantâneo e sopas em pó estão entre os itens que nutricionistas não colocam no carrinho.
Valéria Machado, colaboradora em pesquisas no setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da disciplina de Cardiologia da Unifesp

O alimento costuma ser cozido e frito, num processo que favorece o preparo em poucos minutos, e vem acompanhado de sachês de tempero bastante salgados. “Há excesso de sódio e de gordura de baixa qualidade”, diz.

Para Valéria, apesar da praticidade, o macarrão instantâneo tem uma composição nutricional pobre e não apresenta nenhuma vantagem à saúde cardiovascular e metabólica.

Geralmente fritos, embora existam versões assadas, tendem a apresentar bastante gordura e, como o nome denuncia, exageram no teor de sódio.

“Eles contêm ingredientes como o glutamato monossódico, substância que abre as papilas gustativas e favorece o consumo automático, sem percepção real de fome ou saciedade”, observa.

Segundo Valéria, o exagero pode favorecer a inflamação, o ganho de peso e piorar a qualidade alimentar no dia a dia.

Vanderlí Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta, da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT)

“Não levo para casa latas amassadas ou estufadas”, diz.

Sinais de batidas denunciam que a estrutura da embalagem pode estar danificada por dentro também, o que leva à contaminação do alimento. Já o estufamento sinaliza proliferação de microrganismos e produção de gases.

Caixas Tetra Pak pedem a mesma atenção. “Cortes podem facilitar a entrada de patógenos e estragar a comida”, aponta.

Carnes com coloração azulada/esverdeada
Vale para carne bovina, peixes e aves. Os tons diferenciados e brilhantes revelam que esses alimentos foram manipulados há muito tempo, indicando que existe contaminação e, em caso de consumo, risco de distúrbios gastrointestinais. “A coloração sugere que as bactérias tomaram conta”, comenta Vanderlí.

Produtos com muito sal, gordura ou açúcar
Aqui a dica é prestar atenção às informações do rótulo. “Se na lista de ingredientes o açúcar, a gordura e o sal estão entre os primeiros itens, é sinal de que a formulação contém alto teor desses componentes”, avisa.

Pelas normas, os ingredientes devem aparecer de maneira decrescente, ou seja, aqueles que estão em maior quantidade encabeçam a listagem.

“Também escolho produtos com a lista mais enxuta possível”, afirma. E quanto mais simples os nomes, melhor para identificar a qualidade do alimento.
Com informações de ESTADÃO

Fonte: Diário Do Brasil

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