En meio à ascensão de ideias socialistas em setores da sociedade americana, cubanos e venezuelanos que escaparam de regimes comunistas contaram ao The Epoch Times, no documentário “Red Flag”, como a vida era sob Fidel Castro, Hugo Chávez e Nicolás Maduro — e deixaram o alerta aos incautos que insistem em romantizar essas ideologias. 

Não são teóricos de escritório, são pessoas que perderam décadas, casas, carreiras e, em alguns casos, a própria família para sistemas que chegaram prometendo o céu e entregaram o oposto. O documentário reúne esses depoimentos para mostrar o que acontece quando as promessas de igualdade e prosperidade se transformam em controle, escassez e repressão.

De céu a inferno


Ninoska Pérez Castellón, hoje apresentadora de rádio e voz conhecida da comunidade de exilados cubanos em Miami, descreveu a chegada da revolução de Castro em 1959, que derrubou Fulgencio Batista. 

Contrariando o retrato de festa que Hollywood costuma pintar, não havia atmosfera de celebração. Os oficiais estavam sóbrios e as pessoas sabiam que algo grave estava por vir. “E na manhã seguinte, foi como ir do céu ao inferno”, disse.

Uma multidão se reuniu em frente à casa da família — alguns armados, outros tentando saqueá-la. Os rebeldes voltaram várias vezes à procura do pai, que era oficial do regime de Batista. Em um dos confrontos, dois revolucionários discutiram sobre quem ficaria com o carro da família; um atirou no outro e o matou. Castellón tinha oito anos. 

“Se esses são os bons e isso é uma revolução, alguma coisa está errada aqui”, pensou.


Dias depois, a casa foi confiscada. As execuções por pelotão de fuzilamento começaram quase imediatamente, primeiro contra pessoas ligadas a Batista e, em seguida, contra críticos do novo governo, médicos que se recusavam a cumprir ordens oficiais e advogados que tentavam defender perseguidos. A violência não era um desvio pontual; era o método de consolidação do poder.

Alejandro Ríos, crítico de cinema, contou uma história de armadilha familiar. A família vivia nos Estados Unidos e voltava periodicamente a Cuba para visitar parentes. Em 1962, com as relações entre Washington e Havana se deteriorando, um oficial do consulado avisou ao seu pai: 

“Esta talvez seja a última vez que você pode ir e voltar… mas talvez você não consiga voltar.” 


Com medo de nunca mais ver os pais, seu pai decidiu levar a família de volta à ilha. Ríos tinha cerca de 12 anos. Ficou décadas sob o regime e só conseguiu fugir em 1992, aos 40 anos, com a mulher. 

Sobre a escassez 

cotidiana, Rios afirmou:

“Perdemos 30 anos da nossa vida. Para tornar sua vida um inferno, eles têm muitos recursos. Não têm recursos para arroz, açúcar ou comida, mas têm recursos para controle.” 

Ele também explicou sobre o cartão de racionamento, que fixava quantidades mínimas por pessoa: 

“Você tem este cartão e eles dizem que neste mês você tem três ovos por pessoa. Ok, mas talvez no mês que vem sejam seis ovos. ‘Oh, estamos melhores porque temos seis ovos por pessoa!’ Dá para imaginar?”

Promessas que viraram controle


Rick Gonzalez, arquiteto em West Palm Beach, lembrou a chegada de Castro como se fosse uma estrela pop. 

“Aí vem o Fidel. Oh, uau, rock star, certo? Ele é um rock star. Ele simplesmente aparece. Ele vai consertar tudo, certo? Que é o modus operandi de todo socialista e comunista.” 

Sobre a fazenda do seu avô, Enrique, oficiais chegaram com documentos prontos e disseram: 

“Você precisa assiná-los para que ocupemos sua fazenda.” 


Apresentaram o confisco como uma contribuição voluntária aos planos do governo de reorganizar o país. Não havia escolha real. Seu avô assinou. A propriedade saiu da família e entrou no aparato do Estado. O episódio ilustra como a linguagem de “bem coletivo” e “reorganização” foi usada para retirar das famílias o que elas tinham construído.

Mario Iván Tabares, ex-tenista promissor, contou como o regime transformou talento individual em instrumento de propaganda. Nos anos 1980, o governo o impediu de seguir carreira profissional. 

“Eu deveria jogar mais uns oito torneios, grandes, na Europa, para terminar o ano, e então o governo disse ‘não, não, você não pode fazer isso’.” 

Queriam que ele continuasse amador e representasse o sistema socialista cubano: 

“Precisamos de você porque você representa os socialistas cubanos, para apoiar nosso sistema comunista. Não precisamos do dinheiro. Precisamos das medalhas.” 

O esporte deixou de ser carreira e virou vitrine do regime. Tabares escapou da equipe durante um torneio no México em 1994, cruzou para os Estados Unidos por Tijuana e pediu asilo. Hoje é instrutor de tênis em Miami. Sua história mostra como o Estado buscou controlar não apenas a expressão política e a propriedade, mas também as ambições profissionais e as escolhas individuais.

Venezuela e o aviso direto

Francisco Poleo, executivo de mídia e jornalista venezuelano, descreveu o início do chavismo. Muitos que depois se tornaram críticos ferrenhos de Chávez o apoiaram no começo. 

“Eles estavam extremamente esperançosos. … Votaram em Chávez porque queriam uma mudança radical na Venezuela.” 

Chávez nacionalizou indústrias importantes e impôs controles de preços. O resultado, segundo os relatos, foi o colapso econômico do país que tinha as maiores reservas de petróleo do mundo. Poleo deixou a Venezuela há cerca de dez anos. 

“O país mais rico em petróleo do mundo basicamente se tornou um lugar onde você precisava de uma conexão para achar papel higiênico.” 

Seu aviso a quem elogia o comunismo de fora, enquanto desfruta de liberdade e escolhas de consumo, é direto: 


“Não elogie o comunismo enquanto bebe café da Starbucks e tuita no seu iPhone.”


Castellón, ao ouvir elogios ao comunismo em países livres como os Estados Unidos, responde com uma oferta prática. 

“Quando ouço pessoas em países livres como os Estados Unidos, e elas estão elogiando o comunismo, eu adoro dizer: ‘Eu pago uma passagem só de ida para você ir a Cuba e conhecer o que é o comunismo’.”

Os exilados descrevem o mesmo padrão nos dois países. Líderes chegam prometendo acabar com a corrupção, redistribuir riqueza e melhorar a vida dos mais pobres. Ganham apoio popular. Depois vêm o confisco de propriedade, o racionamento, a censura, a vigilância dos vizinhos, as execuções e o controle total sobre o que as pessoas podem fazer, falar e até sonhar. 

O problema inicial — pobreza, desigualdade, serviços ruins — deixa de ser a questão. A questão passa a ser o poder. E quem viveu o resultado, em Cuba e na Venezuela, avisa a quem ainda não viveu: 

Não romantize o que já virou inferno em outros lugares.

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