
Robô WLTR já está em ação em 27 casas em construção na cidade de Durham, naInglaterra — Foto: Divulgação/Lifestyle Homes
Equipamento autônomo criado no Reino Unido funciona em qualquer condição climática, elimina a necessidade de andaimes e substitui a argamassa tradicional por uma cola especial, reduzindo de forma significativa o impacto ambiental da construção civil em relação aos métodos convencionais.
O setor da construção civil recebeu um importante avanço tecnológico com o desenvolvimento do robô WLTR, conhecido como “Walter”, um equipamento autônomo capaz de executar o trabalho equivalente ao de cinco pedreiros e um ajudante em apenas uma hora de operação contínua.
A máquina foi projetada para assumir uma das tarefas mais pesadas e repetitivas dos canteiros de obras: o levantamento de paredes de tijolos. A tecnologia surge como resposta à crescente falta de mão de obra qualificada que afeta o setor em diversos países.
Para operar, o WLTR precisa apenas da supervisão de um único operador humano, responsável por acompanhar o funcionamento à distância enquanto o robô realiza automaticamente o alinhamento, a aplicação do adesivo e o posicionamento dos tijolos com precisão milimétrica.
O sistema dispensa andaimes e já possui armazenados os projetos arquitetônicos que irá executar, necessitando apenas do reabastecimento periódico dos paletes de tijolos e do nivelamento prévio da primeira camada da estrutura.
A margem de erro do alinhamento é de apenas dois milímetros, índice que muitos profissionais dificilmente conseguem manter no ritmo exigido pelo mercado, garantindo um acabamento tecnicamente superior ao padrão tradicional.
Substituição do cimento e menor impacto ambiental
Uma das principais inovações da tecnologia está na troca da massa de cimento convencional por uma cola especial desenvolvida para o sistema, mudança que altera significativamente o impacto ambiental do processo construtivo.
A produção e utilização do cimento tradicional são responsáveis por cerca de 6% das emissões globais de dióxido de carbono, tornando a construção civil um dos setores que mais contribuem para as mudanças climáticas nas últimas décadas.
Ao substituir esse material por um adesivo mais eficiente e com menor emissão de carbono, o WLTR abre espaço para um modelo de construção mais sustentável, alinhado às metas globais de descarbonização adotadas por governos e empresas.
Além da questão ambiental, a retirada do cimento também reduz o peso das estruturas em algumas aplicações, facilita a montagem e pode aumentar a durabilidade das paredes em determinados tipos de construções residenciais e comerciais.
O equipamento ainda consegue operar sob qualquer condição climática, vantagem importante em relação às equipes humanas, que frequentemente precisam interromper o trabalho por causa de chuva, ventos fortes ou temperaturas extremas.
Interesse estratégico e atração das novas gerações
A novidade chega em um momento estratégico para o Reino Unido, onde o governo anunciou planos para construir mais de um milhão de novas moradias a fim de enfrentar a crise habitacional do país.
Com a falta de pedreiros qualificados em níveis elevados no mercado britânico, robôs como o WLTR aparecem como alternativa para acelerar obras sem depender do aumento imediato de profissionais especializados.
Os desenvolvedores também identificaram outro benefício: a função de operador do equipamento desperta interesse entre os jovens pela semelhança da interface de controle com videogames e jogos de computador modernos.
Isso pode ajudar a atrair trabalhadores mais jovens para a construção civil, setor que há anos enfrenta dificuldades para renovar sua mão de obra, já que muitos preferem profissões com maior interação tecnológica e menor desgaste físico.
O modelo também reduz significativamente o esforço braçal nos canteiros, substituindo tarefas pesadas por atividades de monitoramento e controle que exigem atenção e raciocínio lógico.
Automação e desafios da construção civil
O WLTR faz parte de uma tendência crescente de automação na construção civil, área que historicamente demorou mais para adotar robótica em comparação com setores como a indústria automobilística e eletrônica.
Estudos apontam que a construção civil representa parcela importante do PIB mundial, mas ainda opera com produtividade abaixo do potencial devido à forte dependência de processos manuais.
Especialistas avaliam que a automação de atividades repetitivas, como o assentamento de tijolos, é um passo essencial para aumentar a produtividade, estimular novas inovações e reduzir acidentes de trabalho nos canteiros.
Ao mesmo tempo, a robótica ainda enfrenta desafios de adaptação em ambientes reais, como mostram casos recentes de robôs humanoides que apresentaram falhas em demonstrações públicas, evidenciando que a integração entre sistemas autônomos e ambientes imprevisíveis ainda exige avanços importantes.
Com informações de click petróleo e gás
