
Foto: Epagri/ND Mais
Pequena na Grande Florianópolis, com pouco mais de 10 mil habitantes, a cidade de Antônio Carlos pode não receber o devido reconhecimento que tem na produção dos alimentos que são postos nas mesas dos catarinenses. Mesmo “escondida”, a agricultura, com base essencialmente familiar, é capaz de produzir mais de 150 mil toneladas de vegetais por ano.
Em entrevista ao ND Mais, o secretário de Agricultura do município, Marcelo Guesser, destacou a importância das famílias produtoras para a cidade conhecida como a “Capital Catarinense das Hortaliças”. “A agricultura é a base da nossa economia. Se você tirar a agricultura familiar para tratar daqui, você não fala de Antônio Carlos”, disse.
Entre as principais hortaliças citadas por Guesser estão temperos verdes, alface e aipim. Após serem colhidos pelas famílias produtoras, os alimentos são distribuídos em feiras livres por diversas regiões do estado, como Blumenau, Tubarão e Joinville, além de grandes redes de supermercados, através de entrega direta ou por intermédio da Ceasa (Centrais de Abastecimento do Estado de Santa Catarina).
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Segundo o secretário, mais de 920 agricultores fazem parte do setor produtivo que é capaz de plantar cerca de 75 variedades. Apesar de abastecer diversas regiões, é a Grande Florianópolis a principal beneficiada.
Agricultura familiar em Antônio Carlos lidera setor da economia responsável por mais de um terço da movimentação municipalAgricultura familiar em Antônio Carlos lidera setor da economia responsável por mais de um terço da movimentação municipalFoto: Paulo Rolemberg/ND Mais
Em uma comparação com o cenário nacional, onde se consome de 4,5 a 5,5 milhões de toneladas por ano, de acordo com dados históricos da Hortifruti Brasil e IBGE, Antônio Carlos seria capaz de alimentar o país por mais de 12 dias.
Mão de obra e os desafios da agricultura familiar em Antônio Carlos
A grande força para a produção e transporte dos alimentos é movida pelas próprias famílias do município. “Agricultura familiar é predominante, áreas pequenas com quatro hectares ou pouco mais. É bem familiar mesmo: pai, filho e avô. Assim é que é feita a agricultura no nosso município. Nós temos 1.162 famílias cadastradas”, disse o secretário.
Entre os apoios recebidos pelas famílias está a participação ativa da Secretaria de Agricultura no atendimento subsidiado com uso de máquinas como escavadeiras hidráulicas, retroescavadeiras, tratores agrícolas e caçambas. Já a logística para venda é organizada pelos próprios agricultores, sem participação direta municipal.
Principal produto da agricultura familiar em Antônio Carlos é alfacePrincipal produto da agricultura familiar em Antônio Carlos é alfaceFoto: Reprodução/ND
Guesser entende que a vocação das famílias do setor, responsável por cerca de 36% da atividade econômica do município, se explica pela origem. “As origens do nosso povo se deram pelo cultivo de cana-de-açúcar e aipim para fabricação de farinha. E por serem propriedades pequenas, a questão foi migrando devido à logística. Querendo ou não, estamos ao lado do maior mercado consumidor: a região litorânea”.
Além disso, o terreno no local ainda impediria uma mecanização em larga escala. “O relevo é muito acidentado e acaba que a mão de obra braçal tem de ser mais usada. Tem muita propriedade que não tem como mecanizar muito. Mecaniza em parte, mas a grande maioria é braçal”, explicou.
Dados de produção e a força da agricultura familiar em Antônio Carlos
De acordo com o Observatório do Agro/Cepa/Epagri, cerca de 28% de toda a área do município é coberta por estabelecimentos agropecuários, sendo 6,62 mil hectares de produção dos 234 km² de área total.
O último valor da produção registrado pela Epagri marcou R$ 31,85 milhões. Entre os principais produtos e suas participações percentuais, destacam-se:
Galinha: 25%
Bovino: 12,8%
Alface: 11,5%
Cebolinha: 5,2%
Aipim: 4,9%
Rúcula: 4,3%
Já o volume anual das principais culturas produzidas pela agricultura familiar em Antônio Carlos foram:
Alface: 2.611 toneladas
Chuchu: 1.872 toneladas
Batata-doce: 1.574 toneladas
Cebolinha: 652 toneladas
Rúcula: 614 toneladas
Salsa: 569 toneladas
Cenoura: 350 toneladas
Pepino: 321 toneladas
Repolho: 265 toneladas
Brócolis: 264 toneladas
Pimentão: 153 toneladas
Couve-flor: 60 toneladas
Com informações de NDMAIS
