
BRB Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília — Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) realiza, nesta sexta-feira, uma operação para apurar descontos indevidos na folha de pagamento de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF). A ação atinge o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, a empresa PicPay e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev).
O PicPay disse não reconhecer “qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida” (leia nota completa abaixo). A Secretaria de Economia afirmou que a operação se refere a “fatos relacionados a acordos para concessão de empréstimos consignados firmados em período anterior”. “A Secretaria esclarece que a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta”, pontuou. O BRB não se manifestou.
Entre os alvos, estão Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB que está preso por envolvimento na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB; o ex-secretário de Economia do DF Ney Ferraz e o diretor do PicPay Eduardo Chedid Simões, de acordo com o G1. A fintech é controlada pela família Batista, da JBS.
O MP cumpre ao todo 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba. De acordo com o g1, a investigação apura se foram cometidos os seguintes crimes: lavagem de dinheiro; organização criminosa; corrupção ativa e passiva; inserção e modificação de dados em sistemas da administração pública; crime contra a economia popular; e publicidade enganosa nas relações de consumo.
Além de ser alvo da operação desta manhã, Paulo Henrique Costa é investigado por suposta participação nas fraudes do Banco Master. O inquérito aponta que ele atuou a favor da a compra do Master pelo BRB, ainda que em condições desfavoráveis ao banco que ele presidia.
A investigação da Polícia Federal apontou que Paulo Sérgio chegou a negociar ao menos seis imóveis que seriam entregues por Daniel Vorcaro como propina no valor de R$ 146,5 milhões em troca de ajudar o ex-banqueiro com as negociações envolvendo a compra do Master. Do total, chegaram a ser efetivamente pagos R$ 74 milhões, vez que Vorcaro mandou cessar os pagamentos após o Ministério Público Federal abrir uma apuração sobre os mesmos.
Dentre as provas obtidas pela PF, há trocas de mensagens nas quais Costa cobra de Vorcaro “o avanço em relação aos imóveis que lhe seriam transferidos” por meio de empresas. “Amigo, pessoal esperando seu de acordo sobre os imóveis de São Paulo. Pode ajudar?”, escreveu o ex-presidente do BRB ao então dono do Master.
Um relatório de inspeção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) identificou que o PicPay descontou R$ 81,7 milhões em salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025, conforme publicado pelo portal de notícias Metrópoles em março. No mês anterior, a Corte havia determinado a suspensão de novos descontos na folha vinculados ao banco digital.
Confira nota do PicPay:
O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.
A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes, submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.
O valor antecipado era disponibilizado diretamente no cartão do cliente, mediante solicitação realizada no aplicativo, sem intermediários ou associações, e sem cobrança nessa modalidade.
O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.
A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação.
Com informações de O GLOBO
Fonte: Diário Do Brasil
