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Antonio Gracias, amigo de Musk e um dos seus primeiros investidores — Foto: Eva Marie Uzcategui/Bloomberg

Embora a maior parte do capital da Valor pertença a investidores externos, Gracias possui uma participação acima da média no fundo com a maior exposição à SpaceX. As ações da empresa avançaram 43% entre a estreia na Nasdaq, bolsa de empresas de tecnologia de Nova York, na sexta-feira, e o fechamento de segunda-feira. Ontem, os papéis ampliaram os ganhos, chegando a subir até 17%. Procurada pela Bloomberg, a Valor não comentou o assunto.

— Pessoalmente, pretendo manter minha participação pelo maior tempo possível — disse Gracias em entrevista à CNBC na sexta-feira. — Acho que é uma das empresas mais importantes da história da humanidade, e veremos como tudo isso vai se desenrolar.

Amizade precoce e socorro financeiro

Nascido em Detroit, filho de imigrantes, Gracias fundou a Valor quando ainda era estudante de Direito na University of Chicago. Na mesma época, foi apresentado a Musk por seu colega de classe David Sacks, que havia trabalhado com Musk na PayPal.

Com o tempo, Gracias tornou-se um dos apoiadores mais fiéis de Musk. Em 2005, foi o primeiro investidor institucional da Tesla. Três anos depois, a Valor investiu na SpaceX e, em 2008, Gracias concedeu a Musk um empréstimo de curto prazo quando suas empresas enfrentavam risco de falência.

Enquanto integrava o conselho da Tesla, Gracias participava ativamente das operações, chegando em alguns momentos a dormir na fábrica da montadora em Fremont, na Califórnia.

Confiança retribuída e férias juntos

Musk, por sua vez, foi um dos primeiros investidores da Valor, aportando US$ 2 milhões em cada um dos dois primeiros fundos da gestora. Os dois também passaram férias juntos e, no ano passado, Musk escolheu Gracias para liderar uma força-tarefa sobre imigração que trabalhava com o Departamento de Eficiência Governamental.

Essa relação de longa data proporcionou a Gracias acesso privilegiado às oportunidades de investimento nas empresas de Musk. Quando deixou o conselho da Tesla, em 2021, ele já havia acumulado uma participação hoje avaliada em mais de US$ 1,6 bilhão, ajustada pelo desdobramento de ações realizado em 2022.

Até 2021, a Valor já havia investido mais de US$ 400 milhões na SpaceX, além de aportar recursos na Neuralink e na The Boring Company.

— A participação de Antonio decorre de apoio absoluto, mesmo quando parecia que a SpaceX fracassaria, além de muitos investimentos ao longo de duas décadas. Não se poderia pedir um amigo melhor. Ele é um grande homem — escreveu Musk em publicação na rede X em 6 de junho.

Cerca de um quarto dos ativos sob gestão da Valor pertence aos sócios da própria empresa, mas eles detêm a maior participação no fundo com mais ações da SpaceX, segundo documento apresentado em abril de 2026.

Musk se distanciou dos demais bilionários desde que a SpaceX abriu seu capital — Foto: Stefani Reynolds/Bloomberg
Musk se distanciou dos demais bilionários desde que a SpaceX abriu seu capital — Foto: Stefani Reynolds/Bloomberg
Os integrantes da gestora possuem 64% da Valor Space Holdings, que detém uma participação na SpaceX avaliada em aproximadamente US$ 18,8 bilhões. Gracias, que integra o conselho da SpaceX, é o único acionista individual identificado no documento.

O Índice de Bilionários da Bloomberg atribui pessoalmente a Gracias uma participação na SpaceX avaliada em US$ 16,8 bilhões, após ajustes por alavancagem estimada, uma vez que as ações são mantidas por meio dos fundos da Valor.

Além disso, ele possui US$ 3,3 bilhões em outros ativos internos não relacionados à SpaceX e uma participação na própria Valor avaliada em cerca de US$ 2,7 bilhões.

A SpaceX é, de longe, o maior sucesso da história da Valor. Os fundos que detêm ações da empresa já acumularam mais de US$ 39 bilhões em ganhos desde o início do ano, segundo as avaliações divulgadas no documento de abril.

Esses números refletem apenas cerca de metade da participação total da Valor na empresa de foguetes e inteligência artificial, já que o restante está distribuído em fundos que não aparecem no registro.

— Isso é, eu acho, uma espécie de combinação entre possuir a Companhia Britânica das Índias Orientais enquanto se coloniza o Sistema Solar e além dele, junto com a missão lunar — disse Gracias à CNBC, recorrendo a um paralelo histórico com as Grandes Navegações nos séculos XV e XVI. — Essa empresa vai criar valor por um longo período de tempo, e de forma extraordinária.
Com informações de O GLOBO

Fonte: Diário Do Brasil

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