
SEM EXPLICAÇÃO - Imagens liberadas pelo governo Trump: ETs ou só balões murchos? (Fotos: US Department of War/Getty Images)
Por décadas, uma das maiores fontes de teorias da conspiração da humanidade dizia respeito a uma suspeita instigante: estariam o governo e as Forças Armadas dos Estados Unidos escondendo do respeitável público evidências concretas da existência de discos voadores e extraterrestres? Essas supostas imagens, documentos e até elementos materiais, sustentavam ufologistas e cidadãos de mente fértil, seriam capazes de provar certa “verdade” que as autoridades preferiam manter oculta por razões misteriosas. Ele próprio um craque em matéria de conspiracionismo, o presidente Donald Trump chegou ao segundo mandato com a promessa de enfim divulgar os chamados “arquivos secretos” sobre fenômenos anômalos não identificados (UAPs). Na semana passada, o Departamento de Guerra americano cumpriu mais uma etapa da ordem executiva de Trump para acelerar a transparência sobre o tema, liberando o quarto lote desses itens.
Batizado de Pursue, acrônimo em inglês de Sistema Presidencial de Abertura de Sigilo e Relato de Encontros com UAPs, o programa trouxe à luz agora um lote de quarenta novos registros: catorze documentos, dezenove vídeos, quatro áudios e três imagens, reunidos em esforço conjunto entre o Pentágono e agências como Nasa, CIA, FBI e Departamento de Energia. Desde o lançamento de um portal oficial, em 8 de maio, a estratégia de transparência virou fenômeno na internet: o site já soma mais de 1,7 bilhão de acessos. A iniciativa virou sucesso de audiência.
Uma das revelações trata do episódio ocorrido em 2019, quando um aviador militar relatou ter avistado, na Costa Leste dos Estados Unidos, um objeto retangular voando em altíssima velocidade — “diferente de tudo o que já vi”, afirmou. O objeto sumiu das câmeras de rastreamento antes que outro operador pudesse confirmá-lo, e o caso segue inexplicado.
A insistência de certos objetos em rondar o arsenal nuclear americano é de tirar o sono — e não é exatamente novidade. Uma transcrição de 1949 registra cientistas do Projeto Manhattan, no Novo México, tentando explicar a aparição de misteriosas “bolas de fogo verdes” na região; descartada a hipótese de meteoros, o que intrigava era a trajetória horizontal em velocidades de até 43 200 quilômetros por hora. Décadas depois, em 2015, um objeto silencioso e sem propulsão visível sobrevoou uma fábrica de armas nucleares no Texas, forçando o bloqueio da instalação. Já em 2025, sensores registraram anomalias em formato de “estrela de seis pontas” sobre o Mar Amarelo, perto da China — o suficiente para reacender a dúvida de sempre: drone estrangeiro secreto ou algo sem nome?
Nem todo mistério resiste a um escrutínio básico. Um vídeo captado por sensores infravermelhos sobre o Oceano Atlântico, em 2020, mostra um objeto de cor grená, com cerca de 3 a 4 metros de altura, deslizando ao sabor do vento sem realizar nenhuma manobra — descrito no relatório oficial como parecido com uma “água-viva” ou “balão um tanto deformado”. Não demorou para que criadores de conteúdo e céticos de plantão decretassem o veredicto: tratava-se, muito provavelmente, de um amontoado de bexigas de festa murchas grudadas entre si. O objeto, apelidado nas redes de “cérebro flutuante”, ainda ganhou versão “aprimorada” por inteligência artificial que viralizou, mostrando manobras que o vídeo original jamais registrou — prova de que, hoje, não é preciso um ET para fabricar um mistério: basta um bom filtro de internet.

MITOS - Suposto “corpo” de alien em Roswell: calma, nada assim saiu dos arquivos (./Reprodução)
Entre os documentos revelados nos últimos dias está uma pérola sobre a própria relação do governo com a desconfiança pública: um comitê da Força Aérea recomendou, em 1966, que as agências de segurança nacional trabalhassem para tirar dos óvnis “o status especial e a aura de mistério” que haviam adquirido com as especulações sobre supostos contatos com aliens nas bases de Roswell, no Novo México, e da Área 51, no deserto de Nevada. A lição prática de tudo isso é modesta: “não identificado” continua não sendo sinônimo de “alienígena”. Nenhum dos arquivos liberados até agora comprova vida extraterrestre, e as agências evitam alimentar essa leitura.
Ainda assim, o fato de o governo americano admitir que não sabe explicar boa parte do que vê em seus céus já representa uma mudança de postura. Com novas remessas do programa prometidas para breve, o público deve se preparar para mais vídeos granulados e sem respostas claras. A investigação sobre óvnis, que por décadas foi território da conspiração, tornou-se rotina assumida em Washington. O mistério permanece, mas os vídeos liberados já foram suficientes para fazer renascer a excitação em torno da possibilidade de vida em outros planetas. Como disse certa vez o astrônomo Carl Sagan, a busca incessante pela resposta pode ser justificada da seguinte forma: “Às vezes acredito que há vida em outros planetas, às vezes eu acredito que não. Em qualquer dos casos, a conclusão é assombrosa”.
Com informações de VEJA
Fonte: Diário Do Brasil
