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Plenário do STF Gustavo Moreno/STF

O avanço do PL e de parlamentares alinhados à direita nas eleições de 2026 aumentou a pressão política sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo apuração da CNN, ministros da Corte passaram a avaliar a possibilidade de estabelecer canais de diálogo com setores mais moderados do bolsonarismo diante da perspectiva de uma nova composição do Senado a partir de 2027.

A movimentação ocorre enquanto os ministros aguardam a definição da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a analista Jussara Soares, uma ala do Supremo defende uma aproximação com setores do bolsonarismo.

Moraes e Dino estão no centro das discussões

De acordo com a apuração da CNN, Alexandre de Moraes seria uma das principais linhas de resistência em eventual negociação política. Flávio Dino também passou a ser citado entre os ministros que poderiam enfrentar pressão da nova bancada de oposição.

Interlocutores ligados à campanha de Flávio Bolsonaro teriam transmitido sinais de disposição para dialogar com integrantes da Corte, mas sem incluir Moraes e Dino nesse eventual processo de aproximação.

O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), também procurou integrantes do Supremo. Na terça-feira (6), ele se reuniu com o presidente da Corte, Edson Fachin. Após o encontro, Marinho afirmou que não haverá “vingança nem omissão” em relação aos ministros e defendeu a responsabilização de integrantes do tribunal caso sejam identificados crimes de responsabilidade.

PL rejeita possibilidade de “acordão”

Paralelamente às conversas, o PL mantém a defesa de medidas contra ministros do Supremo. Segundo o analista Caio Junqueira, o partido rejeitou os sinais interpretados como tentativa de construir um acordo político e pretende levar ao Senado, em 2027, pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e, dependendo de sua atuação, Flávio Dino.

A apuração da CNN aponta que o entorno de Flávio Bolsonaro interpretou alguns movimentos de integrantes do STF como possíveis sinais de negociação. Entre as hipóteses citadas estão discussões envolvendo a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro e a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Essas possibilidades, porém, aparecem como cenários relatados por interlocutores e analistas, e não como um acordo formal entre o STF e a campanha de Flávio Bolsonaro.

Partido calcula apoio para impeachment

Segundo a CNN, o PL calcula ter atualmente cerca de 49 senadores favoráveis ao impeachment de Alexandre de Moraes. Para a abertura do processo, seriam necessários 54 votos, de acordo com a avaliação apresentada pelo partido.

O número representa uma estimativa política do PL, e não uma votação realizada ou uma lista oficial de parlamentares que tenham formalizado apoio ao afastamento.

Uma das alternativas discutidas pelos aliados de Flávio seria que o próprio Supremo adotasse providências sobre questionamentos envolvendo Moraes, inclusive em relação a sua ligação com o empresário Daniel Vorcaro. A hipótese é apresentada pelo partido como uma possibilidade de investigação que poderia resultar no afastamento do ministro durante as apurações.

Nova composição do Senado aumenta pressão

O resultado das eleições para o Senado fortaleceu o grupo político alinhado ao bolsonarismo e deve alterar a correlação de forças no Congresso a partir de 2027. A nova composição também reacendeu discussões sobre mudanças nas regras para abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.

Nesse cenário, integrantes da Corte passaram a considerar diferentes estratégias de diálogo com parlamentares que não defendem necessariamente uma ruptura com o Supremo. A avaliação, segundo relatos publicados pela imprensa, é que a nova bancada não é politicamente homogênea e pode haver espaço para negociação com setores mais moderados.

A definição do próximo presidente da República e a eleição das novas presidências da Câmara e do Senado serão determinantes para o ambiente político entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário em 2027.

Fonte: Terra Brasil

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