• Categoria do post:Geral

TV brasileira e programação monótona (Foto Pexels)

Especiais de dramaturgia com adaptações de clássicos da literatura, musicais, programas humorísticos de diferentes estilos, atrações de auditório e variedades, além de transmissões esportivas, novelas e telejornais… Já faz tempo que as emissoras de TV conseguiam sustentar esse conjunto como base de uma programação ampla e com identidade brasileira.

Nos últimos anos, a pressão por redução de custos vem reduzindo, de forma progressiva, a diversidade de conteúdos exibidos na televisão. Tomando como exemplo a principal emissora do país, historicamente reconhecida por uma grade variada, é possível lembrar que, nos anos 1990, a Globo organizava a chamada “Terça Nobre”, que alternava semanalmente diferentes formatos. Em uma semana ia ao ar a “Comédia da vida privada”, na outra o “Brasil legal”, de Regina Casé, e na seguinte o “Casseta & Planeta Urgente!”.

Essa variedade, hoje cada vez mais rara, desperta nostalgia diante de uma programação mais homogênea.

TV brasileira e a perda de renovação de público

É difícil compreender como um país que se acostumou ao humor de nomes como Chico Anysio e Jô Soares, além dos personagens dos Trapalhões — Didi, Dedé, Mussum e Zacarias — assiste à quase extinção dos espaços de comédia na TV aberta.

No SBT, Carlos Alberto da Nóbrega segue como uma das principais referências na tentativa de manter o humor na programação com a “Praça”. Ainda assim, a audiência mais jovem já não vê a televisão como principal fonte de entretenimento cômico.

No caso do público infantil, o cenário é ainda mais restrito. Com exceção de iniciativas pontuais como TV Brasil, TV Cultura e SBT, a maioria das emissoras praticamente deixou de produzir conteúdo voltado para crianças. Quando há produção, ela geralmente se limita a animações.

Esse “apagão” dos programas infantis costuma ser justificado pela limitação de publicidade direcionada a esse público, o que dificultaria a viabilidade econômica dessas atrações. Ainda assim, trata-se de uma ruptura importante em relação ao passado da TV brasileira, que foi marcada por produções como “Vila Sésamo”, “Xou da Xuxa”, “Sítio do Picapau Amarelo” e “Castelo Rá-Tim-Bum”.

Ao abrir mão desse público, a televisão perde espaço justamente com as novas gerações, que já crescem conectadas ao celular e consomem conteúdo principalmente em plataformas digitais como YouTube e TikTok. Com isso, a TV deixa de renovar sua audiência — algo que diferentes pesquisas já vêm indicando há anos.

Formatos repetidos e redução da diversidade

Nas últimas décadas, a programação televisiva passou a se concentrar em formatos mais padronizados, muitos deles importados ou adaptados de modelos estrangeiros. Entre eles, destacam-se os realities de confinamento, que se multiplicam nas grades das emissoras.

Do “Big Brother Brasil” a outras versões semelhantes, esses programas se sustentam pela alta capacidade de engajamento e pela geração de conteúdo para redes sociais. Em contrapartida, acabam reduzindo a diversidade narrativa da televisão, priorizando dinâmicas previsíveis em vez de experimentação estética ou construção mais elaborada de histórias.

Em um ambiente de forte disputa por audiência, a repetição desse modelo contribui para uma grade mais uniforme e menos variada.

Ao mesmo tempo, o crescimento do streaming mostra que há espaço para maior diversidade de formatos. Plataformas como a Netflix investem em diferentes gêneros e linguagens, o que ajuda a manter o interesse de públicos variados.

Desafio de preservar a diversidade

A televisão brasileira reúne um histórico amplo de formatos que ajudaram a formar a identidade cultural do país. A redução dessa diversidade, em nome de eficiência de produção e retorno financeiro, tende a empobrecer não apenas a programação, mas também o próprio repertório cultural.

Para continuar relevante em um cenário dominado pelas redes sociais e pelo consumo rápido de conteúdo, a TV precisaria retomar sua pluralidade: mais gêneros, mais experimentação e mais espaço para diferentes formas de contar histórias.

Com informações de Amado mundo

Fonte: Diário Do Brasil

Compartilhar matéria no
No momento, você está visualizando TV brasileira enfrenta crise de criatividade; VEJA