
Mauricio Camisotti foi preso com Careca do INSS e admitiu fraudes contra aposentados e pensionistas. (Foto: Reprodução/Instagram/@mauriciocamisotti)
Maurício Camisotti, apontado como um dos principais operadores do esquema envolvendo descontos fraudulentos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), já teria prestado mais de dez depoimentos no âmbito de uma proposta de colaboração premiada apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta quinta-feira (27), Camisotti afirmou ter movimentado pelo menos R$ 400 milhões por meio de empresas relacionadas a ele durante o período investigado.
Nos depoimentos, ele também teria apontado Antônio Camillo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, como um dos principais articuladores do esquema que envolveu descontos não autorizados em benefícios previdenciários.
Acordo de colaboração está em fase final
Segundo o jornalista Elijonas Maia, a Polícia Federal avalia positivamente as informações apresentadas por Camisotti. PF e PGR estariam concluindo a elaboração do acordo de colaboração premiada, que ainda deverá ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso tem como relator o ministro André Mendonça.
Camisotti está preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Apesar de estar entre os investigados, ele não foi indiciado no inquérito que apura a atuação dos operadores do esquema.
A colaboração teria contribuído para o avanço das investigações e para o indiciamento de 54 pessoas em dois relatórios concluídos no início de agosto. Entre os indiciados estão Antônio Camillo Antunes e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
Prisão e transferência para a PF
Maurício Camisotti foi preso em setembro de 2025. Em março de 2026, André Mendonça determinou que ele fosse transferido da Penitenciária II de Guarulhos para a carceragem da Polícia Federal.
Desde então, ele permanece sob custódia na unidade em São Paulo enquanto continua colaborando com os investigadores responsáveis pelo caso.
Camisotti teria firmado, em abril deste ano, o primeiro acordo de delação relacionado ao esquema. A primeira versão do documento foi encaminhada ao STF, mas Mendonça determinou que o acordo fosse reformulado para contar com a participação conjunta da PF e da PGR.
Quanto o esquema teria movimentado?
As estimativas sobre o tamanho do esquema variam de acordo com a fonte e o período analisado.
A CPMI do INSS calculou que as fraudes poderiam ter movimentado entre R$ 7 bilhões e R$ 10,5 bilhões entre 2015 e 2025. A estimativa envolve 47 entidades associativas e sindicatos que teriam realizado descontos considerados indevidos em benefícios de milhões de aposentados e pensionistas.
Já os órgãos de controle apontaram outro recorte: aproximadamente R$ 6,3 bilhões em descontos suspeitos entre 2014 e 2024, envolvendo entre 4,1 milhões e 6 milhões de beneficiários.
As diferenças nos números estão relacionadas aos períodos e critérios utilizados em cada levantamento.
Expectativa sobre novas revelações
A possível colaboração de Camisotti passou a ser acompanhada de perto pela CPMI que investiga as fraudes no INSS.
Em abril, o relator da comissão, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), afirmou esperar que os depoimentos do empresário trouxessem informações capazes de atingir pessoas em posições de destaque.
O parlamentar também defendeu que Camisotti apresentasse informações sobre eventual participação de políticos e autoridades no esquema.
As investigações continuam para esclarecer a estrutura da fraude, o destino dos recursos e a possível participação de outras pessoas no esquema de descontos não autorizados que atingiu beneficiários do INSS.
Fonte: Terra Brasil
