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REPRODUÇÃO

A decisão do governo dos Estados Unidos que transformou o PCC e o Comando Vermelho em organizações terroristas virou destaque nos principais veículos da imprensa internacional nesta sexta-feira, 29. A nova classificação sobre as facções terroristas foi anunciada ontem pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

“Após nova manobra dos Bolsonaros, EUA rotulam gangues brasileiras como grupos terroristas”, diz a manchete publicada pelo The New York Times. A reportagem atribui diretamente a decisão do presidente Donald Trump aos pedidos de Flávio e Eduardo Bolsonaro — classificados como “lobby agressivo” pelo jornal americano –, que se encontraram com o republicano na Casa Branca dias antes do anúncio.

O mesmo tom foi adotado pelo The Washington Post. A matéria do periódico americano aponta os atritos que a medida deve gerar com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando que o petista já havia publicamente comentado a hipótese de classificação terrorista como “interferência eleitoral” pelo governo Trump em favor de Flávio Bolsonaro. A reportagem destaca a reação do ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos internacionais, que chamou de “inaceitável o pretexto para intervenção” no Brasil.

Por sua vez, o The Guardian, do Reino Unido, afirma que a nova classificação é “amplamente vista como um revés para o presidente brasileiro e um impulso ao seu desafiante de extrema-direita”. A reportagem no periódico britânico traz destaque para o caso “Dark Horse”, contextualizando que Flávio Bolsonaro visitou Trump e pediu a mudança de postura após sofrer um forte baque nas pesquisas com o vazamento de suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“O anúncio chega a quatro meses das eleições brasileiras e sacode o processo eleitoral”, diz a reportagem veiculada pelo El País, da Espanha. Segundo o jornal espanhol, a nova diretriz americana vai de encontro à postura de Lula, que “defende o combate ao crime organizado pela asfixia econômica e cooperação internacional” e teme que a guinada possa “abrir margem para uma intervenção militar americana”.

O risco de uma ação militar dos EUA no Brasil também é ressaltado pela reportagem da Al Jazeera, do Catar, principal veículo de escopo internacional no mundo árabe. “O governo Trump vem usando o crime e o narcotráfico para expandir a influência militar americana por toda a América Latina”, diz a matéria do portal catari — no âmbito eleitoral, o texto compara a manobra da Casa Branca ao tarifaço contra importações brasileiras, aplicado em 2025, que foi anunciado pela gestão Trump como “um ato de solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Com informações de VEJA

Fonte: Diário Do Brasil

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