
* Por Edilene Nassar
“Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso…”
Nesta música, Renato Russo canta o que muitos sentem em silêncio.
A mente acelerada.
A sensação de estar sempre atrasado.
A dificuldade de decidir, mesmo nas coisas simples.
E, no meio disso tudo, uma inquietação que não se explica.
Só que agora é diferente.
Ou deveria ser.
Porque, em algum momento da vida, quase todos nós percebemos algo importante:
não precisamos provar nada para ninguém.
Mas, curiosamente, continuamos tentando.
E é aqui que começa uma das armadilhas mais silenciosas da vida emocional.
Vivemos como se estivéssemos sendo avaliados o tempo todo.
Pelo que conquistamos.
Pelo que mostramos.
Pelo que aparentamos ser.
Como se existir não fosse suficiente.
Como se fosse preciso justificar.
E, sem perceber, vamos nos moldando.
Escolhas que não são nossas.
Ritmos que não respeitam nossos limites.
Expectativas que nunca foram, de fato, nossas.
E isso cobra um preço.
A distração não é falta de foco.
É excesso de ruído.
A impaciência não é falta de controle.
É excesso de pressão.
A indecisão não é falta de capacidade.
É excesso de caminhos que não fazem sentido.
E a confusão…
Muitas vezes, é o resultado de uma vida vivida para fora, enquanto o que mais importa pede silêncio por dentro.
Quantas chances você já desperdiçou tentando ser o que esperavam de você?
Quantas decisões foram tomadas mais para agradar do que para respeitar quem você é?
Existe um momento em que a consciência chega.
E ela costuma ser simples, mas transformadora:
você não precisa provar nada para ninguém.
Mas entender isso não significa viver isso.
Porque abandonar essa necessidade exige algo que pouca gente desenvolveu de verdade:
presença de si.
Presença para perceber quando está se traindo.
Presença para identificar o que não faz mais sentido.
Presença para sustentar escolhas que nem sempre serão compreendidas.
Sem presença de si, a vida vira repetição.
Com presença de si, ela vira escolha.
E talvez seja por isso que tanta gente continua cansada, confusa e insatisfeita…
Não por falta de capacidade.
Mas por desconexão com a sua verdade.
No fim, não é sobre convencer o mundo de quem você é.
É sobre parar de tentar.
* Edilene Nassar é Psicóloga (CRP 48482/06) e criadora do método VOLTE. Acompanhe pelo Instituto Gestão Mental: @institutogestaomental e LinkedIn.

Edilene Nassar é psicóloga e criadora do método VOLTE
