
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou que a situação fiscal do Brasil é preocupante e alertou para possíveis dificuldades no pagamento de aposentadorias e pensões no futuro. Em declarações divulgadas nesta semana, ele criticou o crescimento da dívida pública e apontou despesas que, segundo seus cálculos, estariam sendo realizadas fora do Orçamento da União.
De acordo com Nardes, a dívida pública passou de 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro também estimou em R$ 326 bilhões o volume de gastos que classificou como realizados fora do orçamento, prática que chamou de “desorçamentação”.
Segundo informações divulgadas pelo Pleno News nesta sexta-feira (23), ao avaliar o cenário, Nardes comparou a condução das contas públicas do governo Lula às chamadas pedaladas fiscais identificadas durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que contribuíram para o processo de impeachment em 2016.
“Houve manipulação lá atrás nas contas da presidente [Dilma] e volta a acontecer”, afirmou o ministro.
Ministro cita déficit bilionário na Previdência
Nardes também informou que pretende incluir observações sobre a Previdência Social em seu parecer sobre as contas do governo federal. Segundo ele, o déficit previdenciário chega a aproximadamente R$ 404 bilhões.
Ao comentar a situação, o ministro demonstrou preocupação com a capacidade de o país sustentar o pagamento dos benefícios no longo prazo.
“Não temos mais economia suficiente nem para pagar os aposentados hoje, e quem dirá futuramente”, declarou.
As afirmações refletem a avaliação do ministro sobre os riscos fiscais do país. Elas não significam, por si só, que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tenha anunciado a suspensão dos benefícios ou que exista uma decisão de interromper os pagamentos.
Debate sobre gastos públicos
As declarações reacendem a discussão sobre o equilíbrio das contas públicas e a necessidade de medidas para conter o crescimento das despesas obrigatórias. O aumento dos gastos pode reduzir a margem disponível para investimentos e outras ações do governo, caso as receitas não acompanhem o ritmo das despesas.
Nesse contexto, o controle fiscal e a transparência na execução do orçamento permanecem no centro do debate econômico, especialmente diante das pressões sobre a Previdência Social e os compromissos financeiros da União.
