
Gao estava detido desde agosto de 2024, quando as autoridades chinesas o prenderam durante uma visita ao país | Foto: Reprodução/Magnific
O artista chinês Gao Zhen, de 70 anos, foi condenado a três anos de prisão por produzir obras que fazem críticas e sátiras ao ex-líder comunista Mao Tsé-tung. Segundo a organização Chinese Human Rights Defenders (CHRD), a Justiça chinesa considerou o artista culpado de violar a “honra de heróis e mártires” nacionais.
Gao está preso desde agosto de 2024, quando foi detido pelas autoridades chinesas durante uma passagem pelo país. O artista havia se mudado para os Estados Unidos dois anos antes.
Conhecido por trabalhos de caráter político, Gao ganhou projeção internacional ao lado do irmão mais novo, Gao Qiang, no início dos anos 2000. A dupla produziu obras relacionadas a episódios marcantes da história recente da China, incluindo a Revolução Cultural, os protestos da Praça da Paz Celestial e o período de governo de Mao Tsé-tung, que liderou o país entre 1949 e 1976.
Entre as obras produzidas pelos irmãos está “A Culpa de Mao”, uma escultura que mostra o antigo líder comunista ajoelhado. Em “A Execução de Cristo”, figuras de Mao aparecem armadas, apontando fuzis para uma representação de Jesus Cristo.
Prisão e condenação
Gao foi preso em seu estúdio, localizado nos arredores de Pequim, em agosto de 2024. Cerca de dez meses depois, em junho de 2025, ele foi formalmente acusado de prejudicar a reputação e a honra de “heróis” e “mártires”.
O julgamento ocorreu em um tribunal da cidade de Sanhe, na província de Hebei. Conforme a CHRD, a pena aplicada corresponde ao limite máximo previsto para o crime.
A organização também afirma que as autoridades chinesas aparentemente utilizaram de maneira retroativa uma legislação aprovada em 2021 para responsabilizar o artista por trabalhos produzidos entre 2005 e 2009.
Gao recorreu tanto da condenação quanto da pena. De acordo com a Anistia Internacional, caso a decisão seja mantida, ele deverá permanecer detido até agosto de 2027.
Anistia Internacional critica sentença
A condenação provocou críticas de organizações internacionais de defesa dos direitos humanos. A Anistia Internacional classificou a decisão como uma tentativa de restringir manifestações artísticas independentes na China.
Sarah Brooks, diretora da entidade para a China, afirmou que a sentença pode funcionar como um mecanismo de intimidação contra outros artistas.
Para a representante da organização, a punição demonstra a disposição das autoridades chinesas de impedir manifestações artísticas que contrariem a narrativa oficial do país sobre acontecimentos históricos.
A Anistia também criticou a utilização da legislação para punir obras que questionam ou satirizam personagens importantes da história chinesa.
A agência AFP informou que procurou o tribunal responsável pelo caso para obter um posicionamento sobre a condenação, mas não recebeu resposta.
Com informações de Revista Oeste.
Fonte: Terra Brasil
