
Por Rodolfo Borges
Não se deve normalizar sob nenhum aspecto a aprovação da PEC do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados. A alegação cínica de melhorar a vida do trabalhador brasileiro serve para patrocinar mudanças que muito provavelmente vão piorar a vida do trabalhador brasileiro.
Os autores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nem sequer se esforçaram para embasá-la com dados que indicassem a mínima viabilidade ou levaram em conta as consequências maléficas de alterações tão irresponsáveis no regime de trabalho no Brasil — ninguém no mundo regula a escala de trabalho dessa forma, porque cada ofício tem seus próprios horários e dinâmicas.
Estima-se que a entrada em vigor da PEC vai resultar na perda de 600 mil a 1,5 milhão de empregos formais. Espera-se também algum impacto na inflação, porque a manutenção dos salários por menos tempo de serviço tem um custo que provavelmente será repassado aos consumidores.
Eleições
Para piorar, o trâmite legislativo foi apressado e a implementação prevista para as mudanças é muito curta, para que os responsáveis pela aprovação possam colher os frutos ainda na eleição deste ano.
O desesperado governo Lula espera dividendos eleitorais para o impopular presidente, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) tenta se estabelecer como referência na esquerda e Hugo Motta (Republicanos-PB) aposta na pauta para salvar sua débil presidência na Câmara,
Além de tudo isso, as alterações, que ainda têm de ser analisadas pelo Senado antes de entrar em vigor, impactam o serviço público de uma forma mais branda, com mais tempo para a implementação das mudanças, e o mercado privado de outra, o que deixa claro a péssima impressão que os lulistas têm dos empresários brasileiros, tratados pela esquerda nacional como vilões.

IRRESPONSÁVEIS
Bagunça
A bagunça é tão grande que essa história vai acabar inevitavelmente parando na Justiça, ampliando a insegurança jurídica que tinha sido solucionada em grande parte pela reforma trabalhista de 2017.
Os lulistas espalham, agora, a lista dos poucos deputados que tiveram coragem de votar contra a pauta eleitoreira. Mas esses parlamentares devem ser exaltados por essa posição.
O sociólogo José Pastore disse em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira, 27, que quem votou a favor da PEC do fim da escala 6×1 ontem vendeu um terreno na Lua para os trabalhadores brasileiros. E quem se arriscar a se mudar não terá sequer emprego para se sustentar por lá.
Fonte: O Antagonista
