Marcos Mendes diz que proposta de tarifa zero aos fins de semana, anunciada pelo governo e a ser viabilizada por PEC, carece de estudos técnicos, sofre de falta de transparência operacional e pode levar a inflação mais alta, juros maiores e estagflação.

O pesquisador associado do Insper Marcos Mendes afirmou, em entrevista à CNN Money, que o conjunto de medidas promovido pelo governo federal — apelidado de “pacote de bondades” — não tem embasamento técnico suficiente e pode aprofundar crises econômicas e institucionais no país. Entre as ações citadas está a proposta de tarifa zero, que prevê a gratuidade do transporte coletivo aos finais de semana e seria implementada por meio de uma PEC a ser enviada ao Congresso Nacional.

Mendes criticou a forma como as medidas vêm sendo anunciadas, avaliando que muitas têm impacto eleitoral e foram divulgadas sem estudos técnicos robustos para mensurar efeitos econômicos e sociais. Segundo ele, as estimativas de custo existentes são superficiais e parecem mais orientadas por objetivos políticos do que por análise rigorosa.

Outra preocupação apontada pelo pesquisador é a falta de transparência no setor de transporte público. Mendes destacou que prefeituras frequentemente não dispõem de dados precisos sobre faturamento das concessionárias nem sobre o número de viagens realizadas, o que tornaria arriscada a ampliação de repasses sem mecanismos de controle e fiscalização mais eficazes. Ele também lembrou que há investigações que investigam possíveis vínculos entre crime organizado e concessionárias, o que aumenta o risco de subsidiar sistemas com governança frágil.

No plano institucional, Mendes criticou o que chamou de “inércia” de órgãos de controle. Ele mencionou ausência de avaliações técnicas por parte do Tribunal de Contas da União e das áreas econômicas do governo sobre as medidas anunciadas, além de uma mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação a uma súmula que limitava a ampliação de programas sociais próximo a eleições. Para o pesquisador, a Lei de Responsabilidade Fiscal estaria sendo desrespeitada, o que enfraqueceria os mecanismos de freios e contrapesos da democracia.

Entre as políticas públicas consideradas distorcidas, Mendes citou alterações no regime do MEI, argumentando que a maior parte dos beneficiários estaria entre os mais ricos da população, e criticou programas de renegociação e perdão de dívidas por possivelmente incentivar o adiamento de pagamentos na expectativa de novos benefícios.

Ao avaliar os efeitos macroeconômicos, o pesquisador alertou para riscos de aumento da inflação, elevação de juros e crescimento do endividamento das famílias. Mendes afirmou que a economia caminha para um crescimento próximo de zero e que, em um cenário mais grave, o governo poderia adotar medidas para reduzir o peso real da dívida por meio de inflação mais alta, flexibilização da política monetária e até controles cambiais — combinação que poderia levar a um quadro de estagflação. Ele traçou um paralelo com o período do governo Dilma Rousseff e concluiu que, independentemente do resultado eleitoral, o próximo governo enfrentará grande dificuldade para aprovar medidas de ajuste fiscal.

As avaliações e alertas apresentados são as análises pessoais do pesquisador Marcos Mendes, com base na entrevista concedida à CNN Money. Não há na reportagem detalhes de estudos técnicos ou números independentes que comprovem, de forma conclusiva, os cenários projetados por ele.

Fonte: afonsobenites Link original: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/bondades-de-lula-agrava-crises-economica-e-institucional-diz-pesquisador/

Fonte: Diário Brasil

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