Frutas na feira – Créditos: depositphotos.com / rmnunes

insegurança alimentar no Brasil apresenta forte concentração nas regiões Norte e Nordeste, segundo um estudo recente que amplia a forma de medir o problema ao considerar fatores sociais, econômicos e estruturais.

Por que Norte e Nordeste concentram maior insegurança alimentar?

As regiões Norte e Nordeste aparecem com os piores indicadores de insegurança alimentar multidimensional no Brasil, refletindo desigualdades históricas. O estudo indica que o problema não está isolado, mas ligado a condições sociais mais amplas.

Esse cenário envolve baixos índices de renda, fragilidade no mercado de trabalho e desigualdade no acesso a serviços básicos. Assim, a insegurança alimentar passa a ser entendida como resultado de múltiplas vulnerabilidades acumuladas.

O que é o índice MUFII e como ele funciona na prática?

O estudo publicado na revista Sustainability apresenta o MUFII (Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar), criado para medir o problema de forma mais ampla. Ele vai além da alimentação e considera diversos aspectos da vida social.

O índice foi aplicado nos 27 estados brasileiros, com base em dados de 2018 e 2022, permitindo uma comparação nacional. Dessa forma, a análise incorpora não apenas nutrição, mas também fatores estruturais que influenciam o acesso à comida.

Quais estados registram os maiores níveis de insegurança alimentar?

Os resultados mostram que alguns estados se destacam negativamente na média dos anos analisados, todos localizados principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Quanto maior o índice, maior a vulnerabilidade alimentar multidimensional. Entre os estados com piores escores estão:

  • Acre, com 0,68
  • Amazonas, com 0,67
  • Maranhão, com 0,65

Esses dados reforçam que as desigualdades regionais continuam sendo um fator central na segurança alimentar do país.

Quais fatores sociais e estruturais explicam esse cenário?

O estudo amplia a compreensão da fome ao incluir variáveis que vão além da nutrição. Elementos como infraestrutura, educação e violência passam a ser considerados determinantes importantes. Entre os principais fatores avaliados pelo MUFII estão:

  • Pobreza e desemprego
  • Acesso à água e saneamento básico
  • Escolaridade e estrutura escolar
  • Violência e insegurança pública
  • Informalidade no trabalho feminino

Como o MUFII pode apoiar políticas públicas mais eficientes?

De acordo com os pesquisadores, o MUFII pode ajudar governos a identificar com mais precisão os principais gargalos de cada região. Isso permite a criação de políticas públicas mais direcionadas e eficientes.

O nutricionista Lucas Moura, do INCT Combate à Fome ligado à USP, destaca que a insegurança alimentar precisa ser vista de forma sistêmica. Para ele, soluções genéricas tendem a ter menor impacto quando aplicadas em realidades tão diversas.

Por que a insegurança alimentar deve ser vista como um problema multidimensional?

O estudo reforça que a fome não pode ser entendida apenas como falta de alimento. Ela está diretamente conectada a fatores econômicos, sociais e ambientais que se acumulam ao longo do tempo.

Nesse sentido, a insegurança alimentar multidimensional evidencia que garantir alimentação adequada envolve também melhorar renda, educação, saúde e infraestrutura básica. O diagnóstico mais amplo ajuda a revelar um problema estrutural que exige soluções integradas.

Fonte: Terra Brasil

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